Brasileiros lideram gastos com alimentação na pandemia

Pesquisa feita em 22 países mostra que o Brasil é onde mais se está gastando com comida nos supermercados

João Venturi

Da CNN, em São Paulo

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Os brasileiros são os que mais gastam com alimentação em casa na pandemia e os que mais pesquisam preço antes das compras, aponta uma pesquisa feita pela consultoria Dunnhumby com quase 9 mil pessoas em 22 países.

Os preços das comidas e bebidas estão mais caros nas prateleiras, aponta um estudo feito por uma empresa especializada em ciência de dados do consumidor. A pesquisa mostra o Brasil a frente de paises como a Malásia (55%), Irlanda (50%) e Colômbia (49%) na lista de países que mais gastam com comida. 

 

O país também lidera quando o assunto é aumento de preços: no Brasil, 76% dos consumidores afirmam que comprar comida está mais caro, contra 70% na Malásia, 59% na Irlanda e 58% na Colômbia. O economista Fabio Romão explica os fatores responsáveis pela alta. 

“Você encerrou o ano de 2020 com o IPCA [Indicador de Preços ao Consumidor Amplo] em 4,5%, que foi a inflação do ano passado, e com alimentacao em 14,1%. Então teve uma alta muito importante dos alimentos no ano passado. O IPCA tem 9 grupos e esse grupo subiu mais que a média, bem mais”, disse à CNN.

Mulher escolhe produtos em supermercado em São Paulo
Mulher escolhe produtos em supermercado em São Paulo
Foto: CNN (14.set.2020)

 

Dos brasileiros ouvidos no levantamento, 80% disseram que priorizam os preços; 21% preferem a qualidade do produto, ou seja, optam pela marca; 47% preferem pesquisar antes, e 43% disseram que a marca de menor valor é a que tem a preferência no carrinho.

“Esse efeito de ter menos dinheiro e estar mais caro fez com que os brasileiros pesquisassem mais, e estão pesquisando na internet, pesquisando mais nas lojas. Eles estão dividindo a cesta de compra, procurando o que está mais barato nos lugares possiveis, mas estao com medo de ir às compras”, avalia Rogerio Aversa, diretor da Dunnhumby.

O cenário tende a melhorar a partir do segundo semestre, avalia Romão. “Os preços não vão cair na proporção que subiram. Eles vão atrapalhar menos, vão parar de incomodar na proporção a que a gente assistiu na segunda metade do ano passado e agora no começo de 2021. Provavelmente o que vai acontecer é que você vai ter alguns preços, como combustíveis e alimentos, com uma evolução mais moderada na segunda metade do ano”. 

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