Campos Neto vê ruídos internos afetando projeções de PIB e inflação para 2022

Ele também reiterou que o Banco Central fará o que for necessário para garantir o cumprimento da meta inflacionária e que tem os instrumentos para isso

Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto em entrevista coletiva (09.jan.2020)
Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto em entrevista coletiva (09.jan.2020) Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Matheus Prado,

do CNN Brasil Business, em São Paulo*

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Em apresentação durante webinar promovido pelo Council of the Americas nesta quinta-feira (19), o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse que ruídos envolvendo questões domésticas têm afetado as projeções de crescimento do Produto Interno Bruto para 2022, processo que está sendo acompanhado pela autoridade monetária.

Campos Neto também reiterou que o Banco Central fará o que for necessário para garantir o cumprimento da meta inflacionária e que tem os instrumentos à mão para tal. Ele ressaltou, ainda, que as ondas de choques inflacionários sofridos pelo país, primeiro em alimentos e posteriormente em energia, já estão contaminando os núcleos de inflação, mas afirma que as expectativas internas e externas ainda estão bem diferentes.

“Estamos discutindo bastante porque as expectativas de inflação internas estão tão diferentes das do mercado. Tem uma questão de modelagem e sabemos que os ruídos internos estão impactando também”, diz. “Eu entendo o ruído e considero que o governo precisa passar uma mensagem clara ao mercado de como conduzirá sua política fiscal daqui para frente.”

Apesar dos desafios, Campos Neto adotou tom otimista na apresentação. Afirmou que a vacinação está avançando e que, em pouco tempo, o Brasil já conseguirá entender os níveis internos de rejeição à vacina por parte da população. E, como a rejeição se mostra baixa localmente, a abertura da economia poderá se dar de forma mais rápida e fluida do que em outros países.

Nessa linha, o gestor entende que a criação de novos postos de trabalho pode se desenvolver nos próximos meses e que o crescimento da dívida pública nacional pode estar se estabilizando em um nível menor do que o esperado.

Agenda de inovação

Falando sobre a agenda de inovação do BC, Campos Neto comentou os avanços do Pix e os próximos passos do sistema de pagamentos. Confirmou a chegada de Pix Saque e Pix Troco ainda no terceiro trimestre de 2021 e estimou a entrada das modalidades Contactless e Offline ainda para 2021.

Há ainda avanços, segundo o presidente do BC, em discussões para promover transações internacionais através da plataforma. Reino Unido e Itália são alguns dos países envolvidos nas primeiras conversas.

“Vimos mais avanços nos últimos três anos do que nos 10 anteriores. Agora o desafio é trabalhar a imensidão de dados que temos e descobrir como monetizar isso”, diz. “Também estamos evoluindo em conversas sobre a implementação de um real digital que sirva, de fato, como uma extensão da moeda.”

Em relação ao mercado de criptoativos, o chefe da autarquia diz que enxerga a demanda por parte dos consumidores, mas acha que a modalidade se destacou mais, até aqui, como investimento do que como meio de pagamento. “Isso nos preocupa um pouco. Mas as stablecoins, por exemplo, avançaram bastante. Estamos avaliando, conversando com a CVM”, afirma.

*Com Reuters

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