Capitalização da Eletrobras deve melhorar gestão da empresa, avaliam especialistas

Fontes avaliam que, com maior presença do mercado, decisões da empresa devem seguir em um sentido mais estratégico e racional

Usina de Marimbondo: governo perderá a condição de acionista controlador da Eletrobras com a oferta de ações para o mercado
Usina de Marimbondo: governo perderá a condição de acionista controlador da Eletrobras com a oferta de ações para o mercado Divulgação/Eletrobras

Pedro Zanattado CNN Brasil Business

em São Paulo

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A confirmação da capitalização da Eletrobras deve impactar positivamente a governança e a gestão da empresa, segundo especialistas consultados pelo CNN Brasil Business.

Nesta quarta-feira (18), o Tribunal de Contas da União (TCU), concluiu o julgamento para dar continuidade ao processo de desestatização da Eletrobras. A Corte aprovou o processo nos moldes propostos pela União, que totalizará R$ 67 bilhões.

No processo da Eletrobras o governo perderá a condição de acionista controlador da empresa com a oferta de ações para o mercado. Mas mantém o chamado golden share, ou o direito a veto de medidas em discussões que sejam consideradas estratégicas para o país.

Especialistas avaliam que as mudanças internas devem trazer benefícios para a companhia como corte de gastos, o fim de indicações políticas e decisões mais isentas sobre projetos.

Para a professora do Instituto de Energia e Ambiente USP (IEA) Virgínia Parente, considerando os aspectos internos e de gerência da Eletrobras, a capitalização pode gerar um melhor “ritmo” para a empresa.

Segundo a professora, com o governo sendo sócio-majoritário, muitas vezes a Eletrobras era prejudicada por conta das inúmeras alterações em cargos de alto escalão, como é o caso dos diretores.

“Muitas vezes eram pessoas vindas de fora da área e atrapalhavam internamente. Com a iniciativa privada terá uma gestão menos política e mais isenta, sem uma agenda, por exemplo”, diz Parente.

No entanto, a especialista criticou o projeto como ele foi aprovado, com a presença dos chamados “jabutis” que podem elevar as tarifas de energia para os consumidores.

A principal mudança com a capitalização é que a iniciativa privada passará a deter a maior parte do capital acionário, consequentemente o controle da empresa.

A Eletrobras tem 105 usinas, entre elas 36 hidrelétricas, incluindo a Belo Monte, 10 termelétricas, 2 termonucleares, 20 eólicas e uma solar. Em 2021, o lucro da companhia somou R$ 5,7 bilhões. Além disso, possui 28% da geração de energia do país e 40% da transmissão, as linhas que levam a energia de um ponto ao outro.

Para Gustavo Fabricio, sócio da RPS Capital, a privatização da estatal deve trazer uma redução de custos para a empresa.

“Após a capitalização, com mudanças internas mais rígidas, a empresa tem total condições de cortar custos. A Eletrobras será a maior empresa elétrica do Brasil, dessa forma, conseguirá ter um ganho de escala relevante”.

Fabricio cita, como exemplo, a privatização da BR-Distribuidora que, segundo o especialista, dois anos após o processo, “dobrou o ganho através do corte de gastos”.

Além disso, ele também destaca outro ponto. Atualmente, a Eletrobras possui um custo de dívida acima das empresas privadas, “então, se ela tomar uma dívida, o banco vai cobrar mais por se tratar de uma estatal, uma vez que existe um risco ali, o governo”.

O especialista diz que isso não deve mais ocorrer com a capitalização, “esse custo de dívida tende a cair”.

O direito às cadeiras no conselho da Eletrobras também será mais uma mudança positiva, segundo Fabricio. O governo não terá mais o direito à maioria dos acentos, o mercado será encarregado para eleger o conselho.

“Consequentemente, o mercado terá maioria e, provavelmente, vai eleger o presidente, permitindo decisões estratégicas mais racionais”, afirma.

Ainda que grande parte dos trâmites já tenha sido concluída, o processo que segue agora é financeiro, sendo necessário a apresentação da empresa aos investidores, garantir o aval da CVM e da SEC para, de fato, estabelecer a oferta.

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