CEO que demitiu 900 via Zoom volta de licença após “refletir sobre liderança”

Em dezembro de 2021, Vishal Garg realizou uma videochamada na qual demitiu 9% da força de trabalho da Better.com

Em carta, Garg afirmou que usou a licença para "refletir sobre sua liderança, se reconectar com os valores que tornam a Better excelente e trabalhar em estreita colaboração com um coach executivo".
Em carta, Garg afirmou que usou a licença para "refletir sobre sua liderança, se reconectar com os valores que tornam a Better excelente e trabalhar em estreita colaboração com um coach executivo". Reprodução/Youtube

Jordan Valinskydo CNN Business

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O CEO da Better.com, mais conhecido por demitir 900 funcionários pelo Zoom pouco antes do Natal, está voltando ao trabalho.

Vishal Garg está retornando às suas “tarefas em tempo integral” como CEO, de acordo com uma carta enviada aos funcionários na terça-feira (18) pelo conselho de administração da empresa.

A carta observou que Garg usou uma licença para “refletir sobre sua liderança, se reconectar com os valores que tornam a Better excelente e trabalhar em estreita colaboração com um coach executivo”.

A carta da empresa de hipotecas online aos funcionários, obtida pela CNN Business, também disse que um escritório de advocacia externo revisou a cultura do local de trabalho da Better e está implementando mudanças, incluindo a adição de mais gerentes e um diretor de recursos humanos.

Em dezembro de 2021, Garg realizou uma videochamada na qual demitiu 9% da força de trabalho da Better. “Se você está nesta ligação, você faz parte do grupo azarado que está sendo demitido”, disse Garg. “Seu emprego aqui é encerrado, com efeito imediato.”

O CEO havia prometido um e-mail de acompanhamento do RH –mas um funcionário afetado disse à CNN Business que perdeu imediatamente o acesso ao computador, telefone, e-mail e mensagens da empresa, incluindo os canais do Slack.

Garg foi afastado logo após a ligação. Na época, a Better disse que estava contratando uma empresa terceirizada para fazer uma “avaliação de liderança e cultura”, cujas recomendações “serão levadas em consideração para construir uma cultura sustentável e positiva de longo prazo na empresa”.

‘Angústia, distração e constrangimento’

Em sua própria carta aos funcionários na terça-feira, Garg escreveu: “entendo como essas últimas semanas foram difíceis. Lamento profundamente pela angústia, distração e constrangimento que minhas ações causaram. Passei muito tempo pensando sobre o que somos como empresa e o tipo de liderança que precisamos… e o líder que quero ser.”

É um desvio de tom de um post que ele escreveu há algumas semanas na rede profissional Blind, no qual acusava os funcionários demitidos de “roubar” de seus colegas e clientes por serem improdutivos e trabalharem apenas duas horas por dia, segundo a Fortune, que confirmou esses sentimentos em uma entrevista posterior com o CEO.

Garg já havia se desculpado por como lidou com as demissões, no entanto, em uma carta de 7 de dezembro aos funcionário, disse que fez “uma situação difícil ficar pior ainda.”

Ele acrescentou: “eu não demonstrei a quantidade adequada de respeito e apreço pelos indivíduos que foram afetados e por suas contribuições para a Better. Eu possuo a decisão de fazer as demissões, mas ao comunicá-la eu errei a execução. Ao fazê-lo, eu envergonhei você.”

A Better.com está avaliada em US$ 6,9 bilhões, ganhando o chamado status de unicórnio. A empresa ficou em primeiro lugar na lista Top Startups do LinkedIn em 2021 e 2020.

A companhia imobiliária, apoiada pelo Softbank, está tentando abrir o capital, embora tenha atrasado esses planos por causa das consequências do tratamento de Garg com as demissões, de acordo com a Bloomberg.

A carta do conselho na terça-feira também disse que Raj Date e Dinesh Chopra se demitiram do conselho e que “embora não comentemos as determinações dos indivíduos de deixar o conselho, Raj e Dinesh não renunciaram por causa de qualquer tipo de desacordo com a Better”.

— Ramishah Maruf, da CNN Business, contribuiu para este relatório

Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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