Clima atrapalha safras em 2022 e adia queda nos preços, diz especialista

Secas e chuvas do começo do ano atrapalharam lavouras e deve pressionar valor dos alimentos

Da CNN*

em São Paulo

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A seca e as chuvas que atingiram diferentes regiões neste começo de ano estão prejudicando diversas lavouras, depois de um 2021 que já sofreu com secas e geadas, e devem adiar a esperada redução no preço dos alimentos para os consumidores.

A explicação é do engenheiro agrônomo e professor da Universidade de São Paulo (USP), Marcos Fava Neves, que integra o time de Especialistas CNN.

“Vocês vão lembrar que em 2021 tivemos uma seca terrível, que atingiu cana, café, laranja, milho. Estamos até hoje pagando o preço; o grão, a ração e as carnes ficaram mais caros, o etanol também sofreu bastante”, disse.

“Começa 2022, a gente com aquela esperança de produzir 300 milhões de toneladas de grãos, e o clima aprontou novamente. As perdas são gigantes, com mais de R$ 50 bilhões de prejuízos já contabilizados.”

Com a frustração nas safras, cujas previsões para este ano estão sendo reduzidas, o que poderia ser um alívio nos preços dos alimentospode se transformar em mais aumento, explica Neves.

“Para nós, a esperança que tínhamos de o preço dos grãos ficar mais barato, derrubando também o preço da ração e contribuindo para os preços do ovo, do leite, do frango, suínos e carnes bovinas também pudesse cair, vai ficar postergada. Não vai mais acontecer isso este ano”, disse.

*Texto publicado por Juliana Elias

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