Com alto custo de produção, exportadores brasileiros registram menor lucro em 2022

Na prática, queda na rentabilidade do segmento diminui criação de empregos no Brasil, segundo Funcex

Menor lucro dos exportadores tem relação com a queda no preço do dólar, que caiu 13% nos primeiros meses do ano
Menor lucro dos exportadores tem relação com a queda no preço do dólar, que caiu 13% nos primeiros meses do ano Foto: REUTERS/Amanda Perobelli

Lucas Janoneda CNN

no Rio de Janeiro

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A rentabilidade média do exportador brasileiro caiu aproximadamente 6% no primeiro bimestre de 2022, quando comparado com o mesmo período no ano passado. A menor lucratividade do segmento ao longo dos primeiros meses do ano foi divulgada, nesta terça-feira (19), pela Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex).

O menor lucro dos exportadores tem relação com a queda no preço do dólar, que caiu 13% nos primeiros meses do ano, já que a maior parte dos contratos são negociados em moeda americana. Outro fator que também prejudicou o setor, segundo o levantamento, foi a alta nos custos de produção no Brasil, impactado pela alta inflação e escalada na taxa de juros no país.

Na prática, a economista da Funcex, Daiane Santos, explica que a despesa para os exportadores aumentou 21,6% nos primeiros dois meses de 2022, quando comparado com o mesmo período no ano anterior.

De acordo com ela, esse fator está atrelado ao aumento da matéria-prima, ao custo do salário dos funcionários e serviços em geral necessários para o processo produtivo. Ela aponta que os setores mais afetados foram o da Metalurgia, Produtos químicos e Derivados de petróleo.

Daiane Santos relaciona também a queda na rentabilidade dos exportadores brasileiros com a piora no cenário econômico do país. Segundo ela, o menor lucro do segmento impactará diretamente na criação de empregos no Brasil.

“Quando você tem uma queda na rentabilidade de um setor como o exportador, você impacta toda a cadeia econômica no Brasil. Na prática, você vê queda no Produto Interno Bruto (PIB) e menor número de empregos criados, já que as empresas contratam menos quando lucram menos”, ressalta a economista da Funcex.

Para a pesquisadora, a rentabilidade do exportador deve seguir em tendência de queda para o restante do ano, levando em consideração que os custos de produção no país estão em ritmo mais acelerado que os preços médios dos embarques em 2022.

Ela também explica que o aumento nos custos de produção é um dos impactos dos gargalos na cadeia mundial de suprimentos causados pela pandemia de Covid-19 e pela guerra na Ucrânia.

“Os exportadores não terão um cenário tão positivo ao longo dos meses de 2022, como tiveram nos últimos dois anos. O custo da matéria-prima, o custo do salário e serviços estão muito elevados. As matérias-primas são fundamentais para o exportador e a guerra na Europa prejudica muito também. A oferta dos produtos está menor, enquanto a demanda continua a mesma. Isso tudo sufoca os exportadores e diminuindo a rentabilidade”, finalizou Daiane Santos.

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