Com férias, produção de motos cai 9,9% em julho, diz associação do setor

Produção acumulada desde janeiro registra alta de 35,4% em relação a 2020

Mês de julho teve produção de 95 mil motocicletas, segundo a Abraciclo
Mês de julho teve produção de 95 mil motocicletas, segundo a Abraciclo Foto: José Paulo Lacerda/ Agência Brasil

Eduardo Laguna,

do Estadão Conteúdo

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A indústria de motocicletas registrou queda de 9,9% na produção de julho na comparação com junho, informou nesta quarta-feira (11) a Abraciclo, entidade que representa as montadoras de veículos duas rodas do polo industrial de Manaus (AM), onde estão quase todas as fábricas de motos do País. No total, 95 mil motocicletas foram montadas no mês passado, um recuo de 3% frente a julho de 2020.

Apesar das variações negativas, a Abraciclo fez uma avaliação positiva sobre a produção, já que o resultado deve ser contextualizado pelas férias coletivas das montadoras no fim do mês passado, programadas desde o início do ano.

No acumulado desde janeiro, a produção chegou a 663,9 mil unidades, com alta de 35,4% em relação aos sete primeiros meses do ano passado, período afetado pelo choque da chegada da pandemia ao Brasil.

Apesar da falta de produtos nas concessionárias, dada a limitação de produção em função de restrições da pandemia – especialmente no início deste ano, quando o sistema público de saúde em Manaus entrou em colapso -, as vendas de motos subiram 5,5% na passagem de junho para julho.

No comparativo interanual, as vendas do mês passado, de 112,5 mil unidades, marcaram crescimento de 32,2%. Durante a apresentação do balanço de julho, o presidente da Abraciclo, Marcos Fermanian, informou que os fabricantes, apesar dos esforços, ainda não conseguiram eliminar a fila de espera nas concessionárias.

A percepção de falta de produtos, informou, ficou mais aguçada em razão das férias coletivas de dez dias em julho. Porém, a tendência é que o abastecimento das lojas comece a se normalizar a partir da segunda quinzena de agosto com a retomada da produção.

A estimativa é de que ainda existem aproximadamente 50 mil motos, principalmente de baixa cilindrada, a serem entregues a consumidores que estão em listas de espera. Segundo o presidente da Abraciclo, a indústria de motos vem conseguindo contornar bem a crise de fornecimento de peças que atinge outros setores industriais, incluindo as montadoras de carros.

A produção, explicou o executivo, vem sendo mais afetada por protocolos de segurança da pandemia, que impedem as montadoras de colocar um grande número de operários para trabalhar simultaneamente.

“Quanto antes for atendida essa demanda reprimida, melhor para o consumidor e para a indústria”, comentou Fermanian, que espera um cenário melhor de atividade na indústria com o avanço da imunização.

Junto com os resultados do mês passado, a Abraciclo elevou de 1,06 milhão para 1,22 milhão de unidades a projeção de produção de motos em 2021, o que, se confirmada, significará um crescimento de 26,8% sobre o resultado de 2020.

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