Consumo de carne pode continuar, diz secretário após negativa de “vaca louca”

À CNN, secretário do Ministério da Agricultura José Guilherme Leal também falou sobre casos suspeitos de DCJ, reforçando segurança no consumo da carne brasileira

Produzido por Ludmila Candalda CNN

Em São Paulo

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A Fiocruz está investigando dois casos de uma doença neurodegenerativa rara, conhecida pela sigla DCJ (Doença de Creutzfeldt-Jakob). Os casos são em moradores do Rio de Janeiro internados no Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas.

Inicialmente, a Fiocruz disse que se tratava de suspeitas da “doença da vaca louca”, mas o Ministério da Agricultura garante que não tem relação com o consumo de carne bovina ou derivados.

“O consumo de carne pode continuar [normalmente]. Temos um controle muito bom desde a produção até o processamento da carne”, afirmou à CNN o secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, José Guilherme Leal.

O secretário explica que a doença identificada no Rio é uma condição nervosa com sintomas parecidos com a Encefalopatia Espongiforme Bovina (“doença da vaca louca”), mas com causas diferentes. “A DCJ tem várias possibilidades de causa e, no Brasil, os casos que ocorrem são esporádicos, de ocorrência natural”, disse.

Essa alteração em proteínas de bovinos que manifestou sintomas da “doença da vaca louca” é semelhante ao ocorrido nesta semana em outros dois casos investigados pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro.

Na quinta-feira (11), o Ministério da Agricultura disse que os casos eram, na verdade, suspeitos da Doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), e não de Encefalopatia Espongiforme Bovina (“doença da vaca louca”).

“É uma alteração na proteína do cérebro e isso ocorre naturalmente no ser humano a partir de determinada faixa etária. Já a ‘doença da vaca louca’ é uma variante desta DCJ, que é a VDCJ — essa sim, associada ao consumo de carne bovina ou de derivados”, completou o secretário, acrescentando que o país não tem casos registrados de doenças associadas à ingestão de carne bovina.

Veto da China

O Brasil ainda espera que a China conclua uma avaliação técnica para que comércio de carne bovina entre os países seja reestabelecido, afirmou o secretário.

O veto à exportação da carne brasileira dura mais de dois meses, desde o dia 4 de setembro, com a confirmação de dois casos de “doença da vaca louca” em rebanhos brasileiros.

“Já prestamos todas as informações às autoridades chinesas e estamos aguardando a conclusão da avaliação técnica que eles fazem para retomar o comércio com a China”, disse Leal.

Segundo ele, foi comprovado que a transmissão da doença de um bovino para outro não feita pela alimentação, mas por causa de uma alteração de proteína em animais mais velhos. Uma vez identificados com essa atipicidade, os bovinos foram separados dos demais pela Vigilância Sanitária brasileira, afirmou o secretário.

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