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    Copom divulga decisão sobre Selic nesta quarta; mercado espera alta de 1,5 p.p.

    Continuidade de riscos fiscais, disseminação da inflação e novos riscos são citados por analistas como causas para a elevação

    Comitê do Banco Central deve anunciar alta da taxa Selic
    Comitê do Banco Central deve anunciar alta da taxa Selic Adriano Machado/Reuters

    João Pedro Malardo CNN Brasil Business

    em São Paulo

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    O Comitê de Política Monetária (Copom) anunciará nesta quarta-feira (2), a decisão sobre a taxa básica de juros da economia, a Selic. A expectativa no mercado é praticamente consensual, de uma alta de 1,5 ponto percentual, o que levaria os juros a 10,75% ao ano, um retorno aos dois dígitos após cinco anos.

    As projeções de alta envolvem o combate da autarquia contra a inflação, que fechou 2021 em 10,06%, muito acima do teto da meta do ano passado, de 5,25%, e no maior nível em seis anos.

    Ao mesmo tempo, a alta será a oitava seguida, com a taxa de juros se distanciando cada vez mais do patamar historicamente baixo de 2%, que vigorou entre agosto de 2020 e janeiro de 2021.

    Para analistas consultados pelo CNN Brasil Business, os riscos fiscais, uma persistência do processo inflacionário e incertezas externas alimentam a projeção de alta, ao mesmo tempo em que o cenário aponta para a continuidade do processo de elevação por mais algumas reuniões.

    O CNN Brasil Business consultou 11 casas de análises, bancos e associações – Itaú, Banco UBS, Toro Investimentos, Genial Investimentos, BTG Pactual, MB Associados, XP Investimentos, Ativa, ABBC, Suno Research e LCA. Todas projetam uma alta para 10,75%, assim como os agentes de mercado consultado no Relatório Focus divulgado na segunda-feira (31).

    Um levantamento obtido com exclusividade pela CNN também aponta o mesmo cenário, com 95% dos 234 agentes de mercado entrevistados esperando uma alta de 1,5 p.p. após a reunião de quarta-feira.

    Causas

    O próprio Copom antecipou, no comunicado emitido após a última reunião, em 8 de dezembro, uma alta “na mesma magnitude”, após elevar a Selic em 1,5 ponto percentual. E tanto o comitê quanto o mercado citam causas semelhantes para esse cenário.

    A principal, segundo o economista da Suno Research Gustavo Sung, é o quadro fiscal do Brasil, que continua a gerar temores no mercado desde a leitura no segundo semestre de 2021 de que o governo estaria disposto a desrespeitar o teto de gastos.

    É uma análise semelhante à de Yihao Lin, economista da Genial Investimentos, que cita ainda novos riscos ao arcabouço fiscal: a incerteza sobre o reajuste salarial de servidores e o anúncio do governo de quer congelar impostos sobre combustíveis, com a chamada PEC dos combustíveis.

    O economista também avalia que o comitê deve considerar um cenário de inflação que ainda não desacelerou como o previsto, algo evidenciado pelo resultado do IPCA-15, que indicou um grau “elevado” de disseminação da inflação na economia.

    Além da continuidade do fator fiscal e da disseminação da inflação, os analistas consideram que novidades no cenário devem ser consideradas pelo Copom na reunião desta semana.

    Questões climáticas já afetaram a produção de alimentos no começo de 2022, e há a expectativa de que quebras de safra na soja e feijão continuem a pressionar os preços nessa área, segundo a MB Associados. A alta de combustíveis deve ser outra preocupação, agora refletindo também nos preços do transporte público.

    A retomada do setor de serviços é citada como outro fator de pressão inflacionária em 2022, assim como o potencial de novos fechamentos na Ásia devido à variante Ômicron.

    Outra novidade é a tensão geopolítica na Ucrânia, com a possibilidade de uma invasão do país pela Rússia, e uma resposta de países do Ocidente, aumentando a aversão a riscos no mercado e encarecendo commodities agrícolas e energéticas, como petróleo.

    Soma-se a isso o cenário das eleições em 2022, que aumenta a volatilidade no cenário doméstico, e as já esperadas altas de juros nos Estados Unidos, que exigem uma atuação do Banco Central para evitar uma perda de atratividade do mercado brasileiro, por meio dos juros.

    Apesar disso, Everton Pinheiro de Souza Gonçalves, superintendente da Assessoria Econômica da ABBC (Associação Brasileira de Bancos), considera que o processo de desinflação em 2022 pode ser facilitado pelas consequências da Selic elevada.

    O alívio da crise hídrica é outro fator positivo que vem se confirmando, afirmou a XP em relatório, assim como uma tendência recente de baixa do dólar.

    O comunicado

    O grande objetivo do Copom, segundo o próprio comitê, é trazer a inflação para dentro das metas de 2022 e 2023, que são de 3,5% e de 3,25% ao ano, respectivamente, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

    Nesse sentido, o mercado já espera novas altas nas próximas reuniões, mas diverge sobre o grau delas. Uma expectativa mais consensual, porém, é que o comunicado do Copom nesta quarta-feira não faça referência a altas “na mesma magnitude” da Selic em relação às reuniões de fevereiro e dezembro.

    Em relatório, o Itaú afirma que a comunicação deve manter um “tom de perseverança e siga afirmando que o aperto monetário deve avançar em território significativamente contracionista”, mas espera uma redução moderada no ritmo do ciclo de alta atual.

    Já a MB Associados afirma que “o Banco Central está sozinho no combate à inflação este ano. Não há ajuda da política fiscal, o câmbio deverá se manter pressionado com os riscos de juros nos EUA e eleições por aqui”.

    Segundo o levantamento da BGC Liquidez, o mercado ainda está dividido sobre o conteúdo do comunicado. Para 40%, o texto deve sinalizar uma futura desaceleração explicitamente, enquanto 30% esperam a manutenção de trechos sem alteração, com uma “tentativa de ser neutro”.

    Já 25% dos entrevistados esperam um abandono de qualquer sinalização sobre o ritmo de alta, enquanto 5% esperam que ele suba a barra para uma desaceleração. A pesquisa também mostra uma divisão sobre as altas nas reuniões em março e maio.

    Na reunião de março, 57% esperam uma alta de 1 ponto percentual, enquanto 28% esperam alta de 1,5 p.p.. A divisão é maior na de maio, com 41% esperando alta de 0,5 p.p., 29% uma manutenção da taxa, 12% uma alta de 1 p.p. e 9% de 0,75 p.p. Para as reuniões seguintes, a maioria espera que a Selic não tenha alteração, com a mediana das projeções para a taxa ao fim de 2022 em 12,25%.

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