Credit Suisse eleva estimativa do IPCA para 2022 a 9,8%

Para o ano que vem, a projeção agora é de inflação ao consumidor de 5,1%, acima do limite superior da meta para 2023

Banco espera que um ciclo de flexibilização comece em maio do ano que vem
Banco espera que um ciclo de flexibilização comece em maio do ano que vem 15/10/2010REUTERS/Bruno Domingos

Luana Maria Beneditoda Reuters

da Reuters

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O Credit Suisse elevou seus prognósticos para a inflação brasileira em 2022 e 2023, estimando agora que a alta do IPCA superará o teto da meta oficial por três anos consecutivos, mesmo com a expectativa de que o Banco Central será forçado a elevar a taxa Selic a 14% até agosto próximo.

Sob o novo cenário, o Credit Suisse vê o IPCA subindo 9,8% neste ano. Há pouco menos de duas semanas, o banco privado estimava alta de 8,3%, taxa que já superava com folga o teto do objetivo perseguido pelo BC, de 5,0%. O centro da meta este ano é de 3,5%, mas há margem de tolerância de 1,5 ponto para mais ou para menos.

Para o ano que vem, a projeção agora é de inflação ao consumidor de 5,1%, o que deixa o prognóstico do credor suíço acima do limite superior da meta para 2023 pela primeira vez. O objetivo para o período é de 3,25%, também com tolerância de 1,5 ponto. Em cenário anterior, o Credit Suisse esperava alta de 4,6% do IPCA no próximo ano.

Caso esse cenário se confirme, o crescimento dos preços ao consumidor no Brasil marcará três anos consecutivos acima da banda de tolerância da meta, depois de o IPCA ter saltado 10,1% em 2021, quando o objetivo central de inflação era de 3,75%.

Em relatório assinado por Solange Srour, Lucas Vilela e Rafael Castilho, o Credit Suisse disse que “a revisão da inflação deste ano decorre da nossa nova expectativa de aumento dos preços dos combustíveis, alimentos e produtos industriais”, prevendo que a Petrobras aumentará os preços dos combustíveis em 15% no período para reduzir a diferença em relação à média histórica.

O banco elevou a 16,4% a projeção de inflação de alimentos neste ano, de 12% antes, “devido ao forte aumento nos preços dos fertilizantes, menor oferta global de comida devido às más condições climáticas e menor rendimento das plantações brasileiras”.

Para o ano que vem, “esperamos que os preços de serviços e administrados continuem pressionados pelo efeito inercial da inflação corrente elevada, pela inflação disseminada entre os itens e altas expectativas de inflação, enquanto a inflação em produtos industriais e alimentos tende a diminuir apenas gradualmente”.

O Credit Suisse repetiu afirmação de cenário anterior de que o processo desinflacionário será “longo e custoso”, prevendo pouco espaço para o Banco Central se abster de continuar a aumentar os juros nos próximos meses.

“Não existe almoço grátis: acomodar uma inflação mais alta neste ano exigirá um período mais longo de taxas de juros restritivas ou taxas ainda mais altas”, afirmou o banco, mantendo expectativa anterior de que a Selic –atualmente em 12,75%– será elevada em 0,75 ponto percentual em junho e 0,50 ponto em agosto, chegando a 14%.

O Credit Suisse espera que um ciclo de flexibilização comece em maio do ano que vem, deixando a Selic em 9,5% até o fim de 2023.

“Acreditamos que o riscos para a Selic no próximo ano estão inclinados para cima devido ao cenário inflacionário ainda assimétrico para uma inflação mais alta.”

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