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    Defasagem no preço dos combustíveis brasileiros chega a 40%, aponta Abicom

    Com alta do petróleo, litro da gasolina deveria estar R$ 7,98 e do diesel R$ 8,14 para manutenção da paridade com o mercado internacional

    Elis BarretoPauline Almeidada CNN

    no Rio de Janeiro

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    No dia em que Estados Unidos e Reino Unido impuseram sanções à importação de petróleo e gás natural da Rússia, o preço do barril do óleo fechou acima dos US$ 129.

    De acordo com a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), a defasagem no preço do litro da gasolina no Brasil chegou a 30% e do diesel, a 40%, nesta terça-feira (8).

    Isso quer dizer que, seguindo a paridade internacional, o litro da gasolina deveria estar R$ 1,41 mais caro, subindo de uma média de R$ 6,57 para R$ 7,98, tendo em conta o último boletim da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

    No caso do diesel, que atualmente custa R$ 5,60 em média, o aumento levaria o valor do litro a R$ 8,14.

    Diante desse cenário, o governo brasileiro estuda medidas para conter a alta nos preços dos combustíveis. Segundo o analista da CNN Caio Junqueira, uma reunião no Palácio do Planalto para discutir soluções terminou sem definição nesta terça-feira (8).

    Para o presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP), Eberaldo de Almeida Neto, a volatilidade do petróleo exige medidas especiais do governo brasileiro para conter os impactos aos consumidores. No entanto, ele é contra o congelamento dos preços.

    “Não acho que o caminho seja intervenção nos preços. Você pode até trabalhar em pontos específicos para o consumidor mais afetado. Eu vou dar o exemplo do botijão do gás de cozinha ou do caminhoneiro autônomo, isso é totalmente pertinente”, disse.

    “Mas o controle de preços vai acarretar o desabastecimento porque o país depende de importações para poder completar a produção doméstica. Fica inviável comprar mais caro, a preço de mercado, e vender mais barato”, declarou à CNN.

    Segundo Almeida Neto, o desabastecimento teria como consequência o aumento dos combustíveis e a inflação. Ele  argumenta que o controle de preços poderia prejudicar a atração de investimentos para o Brasil, com efeitos no câmbio e o aumento do dólar, moeda padrão para os negócios de petróleo.

    “Se você atrai menos investimentos, você não tem a possibilidade de valorizar a sua moeda”, afirmou.

    O pesquisador Daniel Duque, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV/IBRE), aponta que muitos países possuem políticas de suavização dos preços de combustíveis, mas, segundo ele, isso não acontece no Brasil.

    “O fato é que a defasagem de preço ou o subsídio é a mesma coisa. A defasagem é a Petrobras pagar para a população a diferença do preço com o mercado internacional, e subsídio é a população toda pagar para quem consome”, explicou.

    “O correto seria uma política de suavização no sentido correto, quando o preço está em alta, o governo subsidia, e quando está em baixa, ele taxa mais”, defendeu.

    Impactos das sanções à Rússia

    O presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, Eberaldo de Almeida Neto, explica que, atualmente, o Brasil precisa adquirir combustíveis para dar conta da demanda nacional.

    No caso da gasolina, a importação gira em torno de 15%, índice que sobe para 25% em relação ao diesel.

    Em relação à decisão do presidente norte-americano Joe Biden, Almeida Neto ressalta que os Estados Unidos compram 2% do petróleo russo.

    Ele aponta que o veto ao produto pode gerar uma reação em cadeia se outros países acompanharem o embargo, já que 60% do óleo da Rússia vai para a Europa e outros 35% para a Ásia.

    “Alguns institutos econômicos fazem uma análise que a cada milhão de barril não colocados no mercado, o preço sobe de US$ 14 a U$ 20”, declarou.

    Para Daniel Duque, pesquisador da Fundação Getúlio Vargas, o choque entre oferta e demanda do petróleo fará o preço do barril ter uma alta muito elevada, pois a Rússia detém 10% das exportações do mundo e os Estados Unidos são o maior importador.

    “Os Estados Unidos vão ter que comprar de outros países, sendo que vai ser uma oferta 10% menor do que se tinha antes. O preço do brent já estava subindo mesmo antes da guerra. O que vamos ver vai ser uma elevação talvez até próxima da máxima histórica. Em junho de 2008, o preço do barril chegou a US$ 160 na média mensal”, afirma o especialista.

    À CNN, o professor do Ibmec Marcio Sette afirma que, além dos combustíveis, outros produtos derivados do óleo serão impactados.

    “O petróleo está na base como matéria-prima para fazer uma série de outros produtos, como, por exemplo, a borracha. Com isso, outros setores muito distintos, como a construção civil, são afetados”, declarou.

    “Então, temos mais um fator determinante para uma inflação global. O que acontece é que a gente já tem uma inflação da commodities agrícolas, metálicas e, além dessas, temos mais uma linha de inflação para as commodities energéticas, petróleo, gás”, destacou.

    Daniel Duque completa ainda que o aumento no preço da gasolina irá causar um crescimento na demanda por etanol no Brasil.

    O combustível, extraído da cana-de-açúcar e do milho, vem de uma tendência de queda nas últimas seis semanas.

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