Delivery de combustível não reduz preço de gasolina e etanol, diz economista

À CNN, coordenador do curso de Economia da FAAP explica que operação é complexa e valor deve ser repassado ao consumidor

Produzido por Alvaro Gadelha e Vinícius Tadeuda CNN*

em São Paulo

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A Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) aprovou alterações nas regras de comercialização de combustíveis e liberou a entrega de gasolina e etanol por delivery. Em entrevista à CNN, o economista Paulo Dutra Costantin, coordenador do curso de Economia da Faap, disse que isso poderá encarecer a operação.

“Se a gente olhar pelo lado econômico mesmo, o que isso pode trazer de benefício para a redução de preço? A princípio, nada”, diz. Segundo ele, que a entrega do combustível nos tanques dos postos exige uma mão de obra especializada. “Não é uma operação simples”.

 

Para Costantin, pode ser complicado passar essa operação, que hoje é feita por caminhões grandes e mão de obra especializada, para caminhões menores, que terão que ter uma estrutura para garantir a qualidade do combustível e não causar incêndio e explosões.

O economista ainda ressalta que os próprios postos de gasolina, por enquanto, serão os responsáveis pela entrega e que, portanto, estarão incorrendo em um custo maior.

“É simplesmente um serviço que está sendo colocado e, provavelmente, o delivery vai ser mais caro, pois implica em custos maiores para a empresa. E ela vai repassar isso ao consumidor, não tem como.”

Outra mudança anunciada pela ANP é a eliminação de uma casa decimal dos preços que são exibidos nas bombas dos postos. O pacote começou a ser discutido pela diretoria da ANP depois da greve de caminhoneiros, em 2018. O economista avalia como uma mudança de efeito psicológico, sem efeito prático.

*(supervisionados por Ludmilla Candal)

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