Desemprego alto será desafio para governo em 2022, indica FGV

Economistas estimam que taxa de desocupação no Brasil pode permanecer alta até 2026 e que esse cenário poderá influenciar a decisão dos eleitores ano que vem

Ambulante disputam espaço nos faróis de São Paulo por causa do aumento do desemprego na pandemia
Ambulante disputam espaço nos faróis de São Paulo por causa do aumento do desemprego na pandemia ESTADÃO CONTEÚDO

Rayane Rochada CNN*

Rio de Janeiro

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Os efeitos da pandemia de Covid-19 no mercado de trabalho brasileiro devem perdurar até 2026, segundo o economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV IBRE), Luiz Guilherme Schymura, mesmo nos cenários mais otimistas.

O economista destaca que o baque da crise sanitária atingiu os empregos num momento em que o mercado ainda tentava se recuperar — a passos lentos –. da recessão que atingiu o país de 2015 e 2016.

“Há indicações de que a volta da taxa de desemprego para o padrão anterior ao difícil período iniciado em 2015 pode levar alguns anos, mesmo em cenários de crescimento econômico bastante otimistas”, diz em estudo.

Com base em análises de pesquisadores da entidade ao longo do período pandêmico, o economista aponta que esse cenário deve ter implicações importantes para as eleições de 2022 e para a política econômica a ser conduzida até lá, assim como para o próximo governo a partir de 2023.

A taxa de desemprego bateu recorde no começo do ano, chegando a 14,7%. Entre 2014 e 2019, anos que englobam o momento de recessão, a taxa média atingiu 11,4%. No período anterior, de 1995 a 2014, esse número era de 9,3% e, de 1981 a 1994, 5%.

A FGV calcula que, para que o mercado de trabalho alcance um cenário mais positivo, seria necessário um crescimento de 3,5% no Produto Interno Bruto (PIB) entre 2023 a 2026. Caso esse avanço aconteça, o número de pessoas desempregada ainda deve ficar em 10,1% no fim do período.

A projeção considera a análise sem os ajustes sazonais, ou seja, contratações de Páscoa, Natal, feriados prolongados. Com esses ajustes, o cálculo ficaria em 9,8%. Já em um cenário ainda mais pessimista, de aumento de 1,5% do PIB nos próximos cinco anos, o desemprego pode chegar ao patamar de 11,6% em 2026.

Impactos nas eleições presidenciais

A previsão de lenta recuperação do trabalho vem mesmo com o avanço da vacinação em massa no país. Schymura considera nos seus cálculos uma alta no PIB de 4,9% neste ano e de 1,5% em 2022.

“A não ser que, de forma muito imprevista, o crescimento suba para nível bem acima do que hoje se julga possível e sustentável, o desemprego permanecerá elevado pela maior parte do próximo mandato”, aponta o documento elaborado pelo economista.

Em 2022, a população brasileira vai às urnas para escolher o próximo presidente do país. Frente a este cenário, os pesquisadores analisam que a conjuntura econômica pode influenciar a decisão dos eleitores.

“Essa constatação tem implicações importantes para as eleições de 2022 e para a política econômica a ser conduzida até lá, assim como para o próximo governo a partir de 2023”, avaliam os especialistas da FGV.

Ainda de acordo com as análises dos pesquisadores da FGV, “quaisquer medidas que o atual governo tome para acelerar a economia no ano eleitoral, terão efeito muito pequeno no desemprego.” Isso porque a projeção para 2022 é de “um crescimento improvável de 3,5% reduziria o desemprego minimamente, para 12,6%, em relação aos 13% previstos levando em conta a projeção de alta do PIB de 1,5% no ano que vem”, explicam os pesquisadores.

Alta na informalidade

A análise também destaca que a recuperação do mercado de trabalho no pós-pandemia tem sido liderada pelo setor informal e por empregos de menor qualidade. Os estudiosos explicam que, com as baixas ofertas de trabalhos formais, a recuperação do setor econômico tem sido motivada, em especial, por essa categoria.

Essa classe de trabalhadores, junto às pessoas com baixa escolaridade, foi uma das mais afetadas pelos desdobramentos do coronavírus, com destaque para o setor de serviços. Durante fevereiro e julho do ano passado, a população ocupada (PO) do país caiu quase 15%. Além disso, em seguida, a recuperação se deu de forma bastante gradual. Na última leitura, relativa a julho de 2021, a PO ainda se encontrava 4,4% abaixo do nível pré-pandemia.

*Sob supervisão de Maria Mazzei

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