Diretor do ONS diz em evento que não vê possibilidade de racionamento em 2021

Em transmissão ao vivo, diretor-geral da ONS também descartou, "com um caminho de incerteza", racionamentos para 2022

Conta de luz ficou mais cara por crise hídrica
Conta de luz ficou mais cara por crise hídrica Daniel Reche no Pexels

Tamires Vitoriodo CNN Brasil Business*

em São Paulo

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Para o diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Luiz Carlos Ciocchi, não “há possibilidade de racionamento de energia em 2021”, apesar da crise hídrica que afeta o país e causa o aumento das contas de luz dos brasileiros.

Para 2022, a tendência é a mesma, segundo Ciocchi, apesar da “enorme incerteza pelo caminho”, disse em evento online para debater a crise hídrica.

O diretor do ONS alerta que, nos próximos dois meses, deve aumentar o risco de falta de energia — mas ele afirmou que o suprimento será garantido.

“A possibilidade de riscos de problemas de pico da demanda em outubro e novembro existe, mas é para isso que fazemos um planejamento diário. Esse é um período mais crítico, mas temos as termelétricas e acreditamos que temos a condição de enfrentar o atendimento de pico com segurança”, disse.

Para evitar que os mesmos problemas ocorram em 2022, segundo Ciocchi, a recomendação ao governo é a de que sejam criadas “poupanças” de água durante o período úmido deste ano, que começa em novembro.

“Essa ‘poupancinha’, é uma ‘poupançona’, porque é bastante água. A gente quer que esses reservatórios cheguem no período seco de 2022 em uma situação que nos permita ter essa água armazenada, poupada para fazer a travessia do período seco do próximo ano, mas ela tem um componente muito maior, estratégico, que é a questão de replecionamento [aumento] dos reservatórios. Nossos reservatórios estão em uma situação preocupante”, afirmou.

Ciocchi também disse que os planos para evitar efeitos mais graves da crise envolvem “a utilização da energia termoelétrica para poupar as águas do reservatório e desenvolver com as entidades pertinentes um programa de recuperação dos principais reservatórios”. “Isso não se faz em um ano, não se faz em um único período único — se faz com um programa. E essa é a nossa recomendação”, disse.

No começo do ano, o operador alertou as hidrelétricas sobre os períodos de seca que aconteceriam ao longo do ano, que está sendo marcado pela pior estiagem dos últimos 90 anos. Com poucas chuvas, algumas hidrelétricas do país correm o risco de ficar vazias.

Procurado pelo CNN Brasil Business, o ONS ainda não comentou as falas de Ciocchi.

 

Em entrevista à CNN na segunda-feira (30), Nivalde Castro, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e coordenador do grupo de estudos do setor elétrico da instituição, explicou que, apesar de a situação dos reservatórios do país hoje ser pior que em 2001 — quando houve racionamento de energia e os cortes que ficaram conhecidos como ‘apagão’ –, o sistema mudou e está muito menos dependente das hidrelétricas.

“Hoje, 62% da nossa matriz energética é vinculada às usinas hidrelétricas, que precisam de água. Nós ficamos muito dependentes das chuvas”, falou o professor. “Por outro lado, o governo, através da Aneel, está acelerando a entrada de outras usinas não hidrelétricas, justamente para ampliar a oferta de outras fontes que não a hidrelétrica. Nessa trajetória, a tendência é de não haver necessidade de obrigar um corte de energia para os consumidores.”

O risco de racionamento vem sendo considerado já há algum tempo por grande parte da indústria. No mês passado, uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) revelou que 63% dos empresários do setor acreditavam que o racionamento de energia elétrica é uma possibilidade para o Brasil, diante da baixa dos reservatórios.

 

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