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    Distribuidoras avaliam que aumento da reserva do diesel causaria alta de preço

    Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), que representa as maiores distribuidoras do Brasil, tentará derrubar a proposta da ANP

    Caminhão abastece com diesel em posto em São José dos Campos (SP)
    Caminhão abastece com diesel em posto em São José dos Campos (SP) ESTADÃO CONTEÚDO

    Pedro Duranda CNN

    no Rio de Janeiro

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    Aumentar o “colchão” de reserva do diesel S-10 no Brasil poderia ter impacto bilionário no setor e encarecer ainda mais preço na bomba nos postos de combustíveis. A afirmação é do órgão que representa os maiores players do setor no país, o Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP).

    Na leitura preliminar dos técnicos do órgão, as distribuidoras protagonizariam uma corrida às importadoras para aumentar seus estoques para cumprir a regra e evitar multa e, como consequência, seria preço mais caro na ponta.

    A proposta da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) prevê o aumento dos estoques do óleo diesel S-10 de 3 a 5 dias para o equivalente a 9 dias da comercialização.

    A medida passaria a valer no dia 1º de setembro e se estenderia até o fim de novembro, mas ainda vai à consulta pública que deve ser de cinco dias úteis, além de audiência pública. A regra valeria para grandes refinarias e distribuidoras.

    “Isso significa aumento de custo, porque você vai ter que mobilizar. Você tem que construir esse estoque, então vai haver uma corrida para a compra desse produto, um produto que já é escasso no mercado internacional. Isso eleva o preço no mercado também, porque as empresas terão que cumprir a determinação se for aprovada”, afirmou à CNN a diretora executiva de downstream do IBP, Valéria Amoroso Lima.

    “A gente espera conseguir convencer a ANP de cancelar isso na consulta pública”, completa.

    A alegação para o aumento desse colchão de reserva são as questões geopolíticas, com alertas de eventual desabastecimento de diesel em várias partes do mundo. A medida seria aplicada em quem tem uma fatia maior ou igual a 8% do mercado, o que inclui a Petrobras, com as refinarias, e as distribuidoras Ipiranga, Vibra e Raizen. As quatro empresas são associadas ao IBP.

    Na reunião realizada na tarde desta quinta-feira (30), os diretores defenderam as mudanças na regra. Nos votos, eles destacaram que é um momento “peculiar”,”singular”, de “cenário global bastante complicado” e que é preciso ter “senso de urgência”.

    “Queremos que não haja limitação [para o abastecimento nacional]. Porém, diante de diversas incertezas que são colocadas aqui publicamente e da nossa interpretação, e levando em conta a nossa competência, eu tenho certeza e convicção que claramente essa medida é imperativa”, defendeu o diretor Daniel Maia Vieira.

    O IBP questiona o discurso da ANP. “A gente não vê um risco de desabastecimento que justifique esse aumento de imposição aos agentes. Os agentes eles tem trabalhado, eles tem ido ao mercado internacional, eles estão ajudando a suprir o déficit de diesel no Brasil, por que o regulador quer colocar uma imposição extra a eles? Não faz sentido nenhum”, afirma Valéria.

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