Economia tem recuperação rápida, porém desigual, diz ex-diretor do Banco Mundial

À CNN Rádio, Carlos Braga mostrou preocupação com a disparidade na cobertura vacinal pelo mundo

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Logotipo do Banco Mundial em letreiro Foto: Johannes P. Christo/Reuters

Larissa Coelho, da CNN Brasil

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A economia mundial vive a mais rápida recuperação após uma recessão global nos últimos 80 anos, porém ela ainda é muito desigual. Em entrevista à CNN Rádio nesta quarta-feira (09), o ex-diretor do Banco Mundial, Carlos Braga, destaca que a rapidez foi puxada pela reação de países como EUA e China.

“China e EUA respondem por mais de 25% do crescimento global observado em 2021. Nos EUA temos uma política expansionista sem paralelos e uma contribuição ao crescimento mundial três vezes maior do que a média entre 2015 e 2019.”

Carlos Braga aponta, no entanto, que esse cenário não é realidade no mundo inteiro: “É uma recuperação muito rápida, mas muito desigual, particularmente para os países de baixa renda. A renda per capita desses países estagnou nos últimos anos e deve continuar muito baixa após a pandemia.”

O ex-diretor do Banco Mundial destaca que não houve destruição de capital, como acontece em crises financeiras globais, mas sim um impacto econômico devido às medidas de saúde pública, sobretudo no setor de serviços. Ele aponta a vacinação global como o melhor caminho para a recuperação dos níveis econômicos pré-pandemia: “Enquanto não tivermos uma cobertura vacinal global substantiva, o perigo continua.”

No entanto, Carlos Braga vê com preocupação a desigualdade na distribuição das vacinas pelo mundo: “Quando você tem uma cobertura vacinal da ordem de 2% na África, por exemplo, você sabe que tem um laboratório para novas cepas da covid-19. A população mundial só estará realmente salva quando a cobertura vacinal chegar a níveis substantivos.”

O ex-diretor do Banco Mundial afirma que o Brasil, entre as economias emergentes, foi um dos países com mais reações negativas no âmbito fiscal e monetário: “Estamos falando em 10% do PIB em gastos adicionais. Nos primeiros cinco meses do ano passado, quando houve o primeiro surto da pandemia, o auxílio emergencial teve tal impacto que a pobreza no Brasil diminuiu.”

Carlos Braga destaca que o auxílio emergencial ajudou no reaquecimento da economia, mas as contas públicas foram prejudicadas: “Quando a dívida pública supera 60% do PIB, os sinais de alerta começam a piscar. Se por um lado o auxílio tem um papel importante, por outro há a dúvida de como isso vai ser financiado perante o teto de gastos. Isso vai criar dúvidas no mercado a respeito do compromisso do Brasil quanto à questão fiscal, particularmente em um ano eleitoral.”

“Precisamos de uma política pública de comunicação muito transparente sobre como isso está sendo financiado, para que não tenhamos surpresas no mercado”, completa.

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