‘Prévia da inflação’ sobe a 0,89% em agosto, maior valor para o mês desde 2002

Puxado pelos preços da energia elétrica, o indicador acumula alta de 5,81% no ano. Nos últimos 12 meses, avanço é de 9,30%, apontam os dados divulgados nesta quarta-feira (25) pelo IBGE

Ligia Tuondo CNN Brasil Business

São Paulo

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Puxado pelo aumento no preço da energia elétrica, o IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15), conhecido como prévia da inflação oficial, foi a 0,89% em agosto. O resultado é o maior para um mês desde 2002, quando atingiu 1%.

No ano, o indicador acumula alta de 5,81% e, nos últimos 12 meses, de 9,30%, divulgou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira (25).

O valor para o ano vem ficando bem acima da meta do Banco Central, que para 2021 é de 3,75%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o IPCA pode oscilar entre 2,25% e 5,25%.

A prévia da inflação para agosto veio acima das projeções do mercado, destaca o economista-chefe da corretora Necton, André perfeito, que destaca que a mediana das projeções era de 0,83%. “A variação em 12 meses é o pior resultado anual desde maio de 2016 e deixa claro que teremos ainda preocupações inflacionárias por mais algum tempo”, diz em nota.

Maiores contribuições

O maior impacto individual no índice veio da energia elétrica, com alta de 5%, o que contribuiu para 0,23 ponto percentual no resultado do mês. Energia é um item do grupo Habitação, que teve a maior alta do mês, de 1,97%, equivalente a 0,31 ponto percentual do índice geral. Além da energia elétrica, fazem parte desse grupo os preços do gás de botijão (3,79%) e do gás encanado (0,73%), que também tiveram contribuição significativa para o resultado.

Desde julho, os consumidores vêm arcando com a tarifa de energia mais cara na conta de luz, devido à crise hídrica, que tem deixado o custo de geração mais alto. Vale dizer que, em julho, a Aneel reajustou em 53% o valor adicional da bandeira vermelha 2, que passou de cerca de R$ 6,243 a R$ 9,492 a cada 100 kWh consumidos.

O IBGE acrescenta que, em agosto, houve reajustes tarifários em São Paulo, Porto Alegre, Curitiba e Belém.

O grupo Transportes teve a segunda maior contribuição para o IPCA-15 de agosto, com aumento de 1,11%, seguido por alimentação e bebidas (1,02%). A única queda foi em saúde e cuidados pessoais (-0,29%), diz o IBGE.

Gráfico - IBGE - 2021-8-25
Gráfico – IBGE – 2021-8-25 / IBGE

 

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