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    Entenda o que é e o que muda com o 5G, que estreou em Brasília nesta quarta-feira

    Segundo o edital do 5G, as capitais estão previstas para serem as primeiras localidades a terem a experiência completa com a tecnologia

    Pedro Zanattado CNN Brasil Business

    em São Paulo

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    Nesta quarta-feira (6), a tecnologia 5G chegou a Brasília, a primeira cidade do país a receber a tecnologia “full 5G”, que é a experiência completa desse sinal.

    De acordo com o conselheiro da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Moisés Moreira, as próximas serão Belo Horizonte, Porto Alegre e São Paulo. A expectativa é que todas as capitais estejam com a tecnologia liberada até 29 de setembro.

    Hoje, em algumas cidades do Brasil, utiliza-se o padrão Compartilhamento Dinâmico de Espectro (DSS, da sigla em inglês), que apesar de oferecer uma melhor qualidade, usa a frequência já existente do 4G, que é o que acontece na maioria dos países, de acordo com a Ookla, empresa responsável por analisar as métricas de desempenho de acesso à internet no mundo.

    Os países que contam com a tecnologia mais avançada, chamada de 5G “standalone” (SA), “autosuficiente” ou 5G “puro”, são poucos.

    Atualmente, o país líder de velocidade 5G é a Coreia do Sul, que tem média de download de 406 megabits por segundo. A média do 4G é de 17,1 megabits por segundo. Agora, Brasília passa a contar com a tecnologia.

    Com a nova tecnologia estreando no Brasil, entenda o que muda e quais os benefícios para os usuários.

    O que é a tecnologia 5G?

    O 5G, ou a quinta geração da telefonia móvel, é a nova tecnologia de transporte de dados em rede envolvendo dispositivos móveis. Ela é a sucessora das gerações anteriores, o 4G, 3G, 2G e 1G.

    Enquanto a tecnologia 1G tinha velocidade de 2 kbits e o 4G garantia tráfego de 1 Gbits, o 5G terá velocidade para baixar informações de até 100 1 Gbits. Enquanto a latência (diferença na resposta na transmissão de dados) era de 60-98 milissegundos no 4G, no 5G ela será reduzida para menos de 1 milissegundo.

    A capacidade de conectar dispositivos poderá abranger até 1 milhão de aparelhos por quilômetro quadrado.

    Dentre as características da nova tecnologia está a capacidade de permitir mais dispositivos conectados. Algo cada vez mais necessário diante do avanço da chamada “internet das coisas” e uma comunicação cada vez mais integrada entre os dispositivos tecnológicos,

    Para isso, a velocidade também aumentará com o 5G. Dessa maneira, será facilitado o consumo de serviços mais complexos, como a transferência de arquivos, comunicações em tempo real, o consumo de streaming ou dos jogos eletrônicos.

    Com uma maior velocidade, a tecnologia diminui a latência (resposta da conexão), permitindo que os dispositivos móveis consigam processar informações de maneira mais rápida e permitindo aplicações em tempo real.

    De acordo com o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), o 5G é mais do que apenas uma melhoria das gerações anteriores.

    “As redes móveis 5G proporcionarão serviços avançados de banda larga móvel, com taxas de dados mais altas, menor latência e mais capacidade, que possibilitarão enorme potencial para novos serviços sem fio de valor agregado”, diz no documento  sobre a estratégia brasileira para a tecnologia, colocado em consulta pública no ano passado.

    O que muda?

    O 5G poderá dar suporte a diversos tipos de aplicações benéficas. Elas vão desde os sistemas de pagamento até a viabilização de carros autônomos (que funcionam sem motoristas), bem como outras soluções de Internet das Coisas envolvendo sensores e monitoramento em fábricas ou sem serviços públicos (como acompanhamento de consumo de água ou de lâmpadas de postes).

    Na avaliação do MCTIC, a tecnologia poderá contribuir também na produção. “O 5G será um componente chave para o aumento da troca desembaraçada de dados entre máquinas, instalações, humanos e robôs, o que permitirá o desenvolvimento de uma logística inteligente, produção conectada de sistemas cyber-físicos e de comunicação máquina a máquina. A combinação dessas e de outras tecnologias digitais no setor secundário possibilita o avanço industrial conhecido como ‘Indústria 4.0’”, assinala o órgão no documento de consulta pública sobre a estratégia para o 5G, realizada no ano passado.

    Uma preocupação que pode surgir entre os consumidores é com relação ao preço e se a nova tecnologia ficará mais cara para os usuários. Em entrevista à CNN nesta terça-feira (5), o conselheiro e vice-presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Moisés Moreira,“a tecnologia não será mais cara aos usuários [que já possuem 4G]”.

    No entanto, para os usuários, o especialista em Tecnologia, Inovação e Tendências Arthur Igreja diz que é fundamental mudar os aparelhos.

    “Não é só a habilitação do sinal que causará alguma transformação, pois por ser uma banda diferente demanda também antena e processamento diferentes. Então, para que o usuário perceba qualquer mudança é preciso ter um celular habilitado para o 5G”.

    Sobre os benefícios da tecnologia, Igreja reforça que a nova tecnologia ampliará gigantescamente a qualidade da velocidade, com aplicativos podendo ser baixados mais rapidamente, conteúdos mais pesados como vídeo e áudio, videoconferência com qualidade bem superior, enviar documentos com muito mais velocidade.

    “Um aspecto fundamental é a latência, que é o atraso do sinal, o que no 5G é incomparavelmente menor e permite aplicações em tempo real em inúmeros setores da economia como agricultura, saúde e educação, tendo um impacto de maneira transversal em todos os segmentos”, explica.

    A adoção da nova tecnologia já está nos planos de parte da população. De acordo com uma pesquisa realizada pela IDC na América Latina, um total de 22% dos brasileiros pretendem mudar para o 5G nos próximos 12 meses, com a chegada da tecnologia. O estudo ouviu mais de 3 mil pessoas na região, entre eles 723 brasileiros.

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