EUA estão prestes a ter o primeiro IPO de empresa chinesa desde julho de 2021

Mesmo em meio a tensões entre os dois países e crescente escrutínio regulatório, abertura de capital da Meihua International, do setor de saúde, deve acontecer ainda nesta semana

Foto: Marcelo Favalli/CNN

Michelle Tohdo CNN Business*

em Hong Kong

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Os Estados Unidos estão prestes a obter sua primeira oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) de uma empresa chinesa em meses, mesmo que as tensões EUA-China e o escrutínio regulatório permaneçam altos.

A Meihua International Medical Technologies, que vende suprimentos médicos em todo o mundo, deve estrear esta semana na Nasdaq em Nova York e pretende arrecadar US$ 57,5 ​​milhões, de acordo com dados compilados para a Bolsa de Valores de Nova York.

Embora o valor seja relativamente pequeno, marcaria a primeira listagem de uma empresa chinesa desde outubro, quando a empresa de biotecnologia LianBio levantou US$ 334 milhões na bolsa, segundo o provedor de dados Dealogic.

A LianBio está sediada nos Estados Unidos e na China. Os investidores americanos não veem um IPO de uma empresa com sede principal na China desde julho, quando a Sentage Holdings, uma provedora de serviços financeiros com sede em Xangai, abriu capital na Nasdaq.

Houve apenas um IPO nos EUA de uma empresa chinesa de agosto a janeiro, em comparação com 20 no mesmo período do ano passado, segundo a Dealogic.

A China vem reforçando as restrições às empresas locais que esperam listar no exterior após um IPO malfadado da Didi, a provedora de serviços de transporte por aplicativo dominante do país, no verão passado.

A empresa abriu o capital em junho na maior oferta pública inicial de ações de uma empresa chinesa nos EUA desde a estreia do Alibaba em 2014, levantando cerca de US$ 4,4 bilhões.

Mas, apenas dois dias depois, a China lançou uma investigação sobre Didi e suspendeu o registro de novos usuários em seu aplicativo, levando-a a uma repressão maior do setor de tecnologia do país.

A decisão de Pequim de atacar a Didi foi amplamente vista como uma punição por sua decisão de abrir capital no exterior, e a empresa se tornou um exemplo dos esforços da China para conter o que o governo vê como grandes empresas de tecnologia incontroláveis.

Desde então, reguladores de valores mobiliários e dados na China lançaram novas regras propostas para empresas que desejam abrir capital em outras partes do mundo. As autoridades chinesas propuseram, por exemplo, que empresas com dados de mais de 1 milhão de usuários busquem aprovação antes de serem listadas no exterior.

Em dezembro, a Didi disse que sairia da Bolsa de Valores de Nova York e mudaria sua oferta pública de ações para Hong Kong. A próxima listagem da Meihua nos Estados Unidos pode sinalizar o início de uma nova onda de ação, no entanto.

Nas últimas semanas, um punhado de empresas com operações predominantemente chinesas solicitaram IPOs de Wall Street, de acordo com registros na Comissão de Valores Mobiliários dos EUA.

— A redação da CNN em Pequim e Laura He contribuíram para esta reportagem.

Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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