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    Fabricantes enfrentam desafio de manter chips fora de armas russas

    Dificuldade em rastrear onde produtos terminam pode limitar a execução de novas sanções dos EUA, que visam interromper a exportação de tecnologia norte-americana à Rússia

    Chips de baixo custo passam por vários revendedores antes de terminarem em um dispositivo
    Chips de baixo custo passam por vários revendedores antes de terminarem em um dispositivo 06/01/2020REUTERS/Steve Marcus

    Por Jane Lanhee Lee, da Reuters

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    Quando a fabricante norte-americana de chips Marvell soube que um de seus chips foi encontrado em um drone de vigilância russo recuperado em 2016, a empresa decidiu investigar como isso aconteceu.

    O chip, que custa menos de 2 dólares, foi enviado em 2009 para um distribuidor na Ásia. O chip foi vendido para outro comerciante na Ásia, que, por sua vez, faliu mais tarde. Anos depois, o produto reapareceu em um drone recuperado na Lituânia.

    A experiência da Marvell é um dos inúmeros exemplos de como os fabricantes de chips não têm capacidade de rastrear onde muitos de seus produtos de baixo custo terminam, disseram executivos e especialistas.

    Isso pode limitar a execução de novas sanções dos Estados Unidos destinadas a interromper a exportação de tecnologia norte-americana à Rússia.

    Enquanto chips sofisticados e de ponta que podem integrar supercomputadores são vendidos diretamente para empresas, os de baixo custo passam por vários revendedores antes de terminarem em um dispositivo.

    A indústria global de chips deve produzir 578 bilhões unidades este ano, sendo 64% deles chips “commodity”, disse Dan Hutcheson, economista com foco em chips da TechInsights.

    Enquanto a Rússia representava menos de 0,1% das compras globais de chips antes das sanções, de acordo com a organização Estatísticas Globais de Comércio de Semicondutores (na tradução livre do inglês), as novas restrições ocidentais ressaltam a ameaça em termos humanos.

    “Todos os drones que vimos não estavam armados”, disse Damien Spleeters, vice-diretor de operações do grupo de Pesquisa em Armamento de Conflitos, financiado pela União Europeia e Alemanha e que encontrou os chips nos drones.

    “Alguns desses drones que documentamos, como o Forpost, agora são usados ​​em sua versão armada no conflito atual” na Ucrânia, disse ele.

    O relatório que motivou o trabalho de rastreamento da Marvell, publicado no final do ano passado pelo grupo, também encontrou chips em drones russos da Intel, NXP, Analog Devices, Samsung, Texas Instruments e STMicroelectronics.

    A Texas Instruments e a STMicroelectronics não responderam a pedidos de comentários enviados pela Reuters; NXP e Analog Devices disseram que cumprem as sanções; A Intel disse que é contra o uso de seus produtos para violações de direitos humanos; e a Samsung disse que não fabrica chips para fins militares.

    O objetivo de sanções russas não é rastrear todos os chips, mas interromper a cadeia de suprimentos, na qual a comunidade de inteligência está trabalhando, disse James Lewis, diretor do programa de política tecnológica do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, com sede em Washington, EUA.

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