Falta de peças faz Volks suspender 1,5 mil contratos no ABC, diz sindicato

Direção do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC considera decisão positiva para a categoria, porque pode evitar demissões

Foto: Volkswagen/Divulgação

Bruno Laforéda CNN

Em São Paulo

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A partir de novembro, a Volkswagen irá suspender o contrato de trabalho de cerca de 1,5 mil funcionários que atuam na fábrica de São Bernardo do Campo, na região metropolitana de São Paulo. A informação foi confirmada à CNN pelo diretor do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, José Roberto Nogueira da Silva, que participou das negociações com a montadora.

O chamado “lay-off”, adotado pela empresa, pode durar de dois até cinco meses segundo a legislação brasileira. Neste período, a unidade de produção irá funcionar com apenas um turno de trabalhadores. A medida foi tomada por causa da escassez de componentes eletrônicos utilizados na fabricação dos veículos.

A direção do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC considera a decisão positiva para a categoria, pois pode evitar demissões neste momento de adversidades enfrentadas pelo setor automotivo.

Procurada, a assessoria de imprensa da Volkswagen informou que ainda não se posicionará sobre o tema.

A alta de insumos compromete todo o setor automobilístico do país. No mês passado, a Renault do Brasil adotou o “lay-off” para 300 colaboradores e um Programa de Demissão Voluntária com saída estimada de 250 pessoas.

A Stellantis, holding que controla 14 marcas, entre elas a Fiat, concedeu “lay-off” para cerca de 1,8 mil empregados do Polo Automotivo de Betim, em Minas Gerais, desde 04 de outubro. A medida foi aprovada em assembleia da categoria e se concentra em parte do turno noturno de trabalho. O turno diurno continua a operar normalmente.

Neste mês, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) reduziu as estimativas de produção e vendas de veículos para o ano de 2021. A alta de 22% na produção, estimada em julho deste, foi revista para 6% a 10%. Já a expectativa de vendas passou de alta de 13% no ano para possibilidade de queda de 1% até um crescimento de, no máximo, 3%. A mudança foi justificada pela falta de componentes para a indústria e fraqueza dos principais consumidores de veículos do Brasil, como a Argentina.

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