Faturamento do setor de mineração do Brasil sobe 62% em 2021, diz levantamento

Segundo o Ibram, alta está ligada aos preços elevados das commodities no ano passado

Estados de Minas Gerais e Pará mantiveram liderança no setor
Estados de Minas Gerais e Pará mantiveram liderança no setor David Gray/Reuters

João Pedro Malardo CNN Brasil Business

em São Paulo

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O setor de mineração brasileiro registrou uma alta de 62% no faturamento em 2021 ante 2020, atingindo R$ 339 bilhões, segundo dados do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) divulgados nesta terça-feira (1º).

Na divisão estadual, os estados de Pará e Minas Gerais seguem como os mais importantes do setor, com faturamento de R$ 146,6 bilhões (alta de 51%) e de R$ 143 bilhões (alta de 87%), respectivamente.

Minas Gerais aumentou a participação no faturamento, de 37% para 42%, enquanto a do Pará caiu de 46% para 43%. Em terceiro lugar está o estado da Bahia, que superou Goiás em relação a 2020 e teve um crescimento no faturamento de 67%, com R$ 9,5 bilhões.

“Minas Gerais ainda é muito forte em mineração e o será por muitos anos ainda. O estado teve o maior incremento de recolhimento de royalty em 2021 e é também o estado que mais vai atrair investimentos no setor até 2025, US$ 10,2 bilhões”, afirma Flávio Penido, presidente do Ibram.

O levantamento estima que a produção mineral brasileira em toneladas teve alta de 7% em 2021, com 1,150 toneladas estimadas. Para o Ibram, o valor representa uma “estabilidade”.

Entretanto, o instituto destaca um ano positivo para o setor, impulsionado especialmente pela alta nos preços das commodities em 2021 com uma demanda aquecida. Entre os minerais beneficiados estão o minério de ferro, com média de preço 47,5% maior que 2020, e o cobre (52% acima) e alumínio (45%).

O minério de ferro continuou sendo o principal mineral produzido pelo Brasil, com um faturamento de R$ 249,8 bilhões no ano passado, alta de 80%, e participação no faturamento total subindo de 66% para 74%.

Ele é seguido pelo minério de ouro (R$ 27,1 bilhões, alta de 16%) e pelo minério de cobre (R$ 17,8 bilhões, alta de 29%).

O Ibram afirma que a arrecadação de impostos sobre o setor teve uma alta de 62,3% em 2021, totalizando R$ 117 bilhões. Ao mesmo tempo, o setor gerou 14.869 novas vagas de emprego em 2021, alta de 8%.

Balança comercial

Ainda segundo o levantamento, o chamado saldo mineral – conta que subtrai das exportações de minério as importações – foi de R$ 48,9 bilhões, uma alta de 50,7%, o que equivale a 80% do saldo da balança comercial brasileira em 2021, ante 64,4% em 2020.

Com o aumento do preço das commodities, as exportações passaram de US$ 36,6 bilhões em 2020 para US$ 370,9 bilhões em 2021, uma alta de 58,6%, enquanto que a quantidade exportada em toneladas subiu apenas 0,4%.

A China foi o principal destino de exportações de minério de ferro (68%), nióbio (35,4%) e manganês (50,5%), enquanto o Canadá foi o principal destino do ouro (31,4%) e alumínio (39,1%).

As importações também subiram, atingindo US$ 38,37 bilhões, uma alta de 63%. A quantidade em toneladas subiu 16,3%. O principal mineral importado é o potássio (47%), seguido do carvão (30,6%).

Para os próximos anos, a perspectiva do Ibram é de estabilidade e manutenção do bom desempenho, em especial com a perspectiva de aumento da demanda pela China e pela demanda crescente por minerais ligados a tecnologias de energia limpa, caso do cobre e do alumínio. Já a produção mineral, segundo o Ibram, deve se manter estável.

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