Fluxos de gás russo para a Europa caem ainda mais em meio a disputa diplomática

Fornecedora russa Gazprom anunciou um segundo corte no fornecimento do gasoduto Nord Stream 1 para a Alemanha, reduzindo os fluxos para 40% da capacidade

Logo da Gazprom em São Petersburgo
Logo da Gazprom em São Petersburgo 26/01/2022 REUTERS/Anton Vaganov

Reuters

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O fornecimento de gás russo para a Europa caiu ainda mais nesta quinta-feira (16), provocando preocupações sobre o reabastecimento do armazenamento para o inverno e uma disputa diplomática, já que a fornecedora russa Gazprom culpou as sanções ocidentais por dificultar o trabalho de manutenção.

A Gazprom anunciou um segundo corte no fornecimento do gasoduto Nord Stream 1 para a Alemanha, reduzindo os fluxos para 40% da capacidade.

O ministro da Economia da Alemanha disse que a medida visa “semear incerteza e elevar os preços da energia”. Os preços do gás no atacado holandês, referência europeia, subiram até 25% nesta manhã.

A Gazprom culpou os cortes na entrega de equipamentos Siemens Energy, em manutenção no Canadá. O regulador de energia da Alemanha, no entanto, rejeitou essa explicação.

A Uniper, maior importadora de gás russo da Alemanha, disse que as entregas do país do leste europeu caíram um quarto em relação aos volumes acordados, mas disse que conseguiu obter os volumes que faltavam de outras fontes.

Os fluxos de gás para a Itália também caíram e a concessionária de energia tcheca CEZ declarou que observou um corte semelhante no fornecimento de gás russo, mas estava substituindo os volumes ausentes de outras fontes.

A empresa de energia austríaca OMV também disse que Gazprom a informou sobre uma redução nas entregas de gás. Os cortes ocorrem quando o Nord Stream 1 deve passar por manutenção anual entre 11 a 21 de julho, quando o fornecimento será cortado completamente.

Eles também ocorrem quando o continente procura encher o armazenamento para o inverno enquanto se compromete a reduzir sua dependência do gás russo no futuro.

O corte da Gazprom para a Alemanha é um sinal de alerta que pode causar problemas para a maior economia da Europa neste inverno, disse o chefe do regulador de energia do país a um jornal nesta quinta-feira. “Isso pioraria significativamente nossa situação”, afirmou Klaus Mueller, ao jornal Rheinische Post.

“Talvez possamos passar o verão quando a temporada de aquecimento terminar. Mas é imperativo que preenchamos as instalações de armazenamento para passar o inverno”, acrescentou.

Oferta do Reino Unido

Enquanto isso, a britânica Centrica assinou um acordo com a Equinor, da Noruega, para fornecimentos adicionais de gás para o Reino Unido durante os próximos três invernos.

A Grã-Bretanha não depende das importações de gás da Rússia, tornando-a menos vulnerável ao atual choque de oferta, e pode exportar gás para a Europa por meio de gasodutos.

Além das preocupações com os fluxos da Nord Stream, o fornecimento de gás natural liquefeito (GNL) deve diminuir nos próximos meses. Os danos de um incêndio na semana passada em uma planta de exportação de GNL dos EUA no Texas, operada pela Freeport LNG, a manterão totalmente offline até setembro, com operação apenas parcial até o final do ano.

A instalação responde por cerca de 20% das exportações de GNL dos EUA e tem sido um importante fornecedor para compradores europeus que buscam alternativas ao gás russo.

“Há risco de mais atrasos, em nossa opinião, já que o reinício da planta está sujeito à aprovação regulatória e há duas investigações em andamento sobre a causa do vazamento de GNL e as emissões excessivas resultantes de vários poluentes, o que pode exigir avaliações de segurança rigorosas”, analistas no banco de investimentos Jefferies disse.

 

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