Furar teto de gastos afeta câmbio e inflação, diz economista sobre Auxílio Brasil

Nesta terça-feira (19), houve uma reação negativa do mercado financeiro com a indicação de que o Auxílio Brasil, novo programa social do governo, furaria o teto de gastos

Produzido por Juliana Alvesda CNN

Em São Paulo

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Em entrevista à CNN nesta quarta-feira (20), a economista-chefe da Veedha Investimentos, Camila Abdelmalack, ressaltou que um eventual “furo” no teto de gastos tende a  depreciar a taxa de câmbio e gerar inflação.

Nesta terça-feira (19), houve uma reação negativa do mercado financeiro com a indicação de que o Auxílio Brasil, que deve substituir o Bolsa Família, excederia o limite constitucional para os gastos do governo.

A intenção do Executivo é pagar um benefício médio de R$ 400 para cerca de 17 milhões de brasileiros. O anúncio do auxílio já devia ter ocorrido, mas foi cancelado em cima da hora.

“Não é uma questão de ser contra a extensão do programa assistencialista, é a maneira como isso está sendo feito, que é fora do teto. Essa discussão está gerando temor em relação ao próximo ano, como o governo vai tocar as contas públicas. Isso eleva a percepção de risco, depreciando o mercado acionário e a nossa taxa de câmbio”, avaliou Abdelmalack.

Segundo a economista, o Executivo precisa agora respeitar as regras fiscais para dar mais confiança ao mercado e, talvez, até desistir da extensão dos R$ 100.

“O Auxílio Brasil totaliza R$ 400, sendo R$ 200 do Bolsa Família, R$ 100 que iria encontrar espaço através da PEC dos Precatórios, e outros R$ 100 por meio do extra-teto. Esse extra-teto não deveria ser discutido nesse momento porque eles iriam usar de uma contabilidade fictícia”, disse.

Abdelmalack explicou a abertura de um crédito extraordinário – cogitada pelo governo para ajudar a financiar o programa – só é possível em estado de calamidade. A principal justificativa do governo é a taxa de desemprego, que continua muito elevada.

“Os questionamentos que os investidores fazem em relação a como isso está sendo feito é que além dos R$ 100 extra-teto, eles venham a acomodar os R$ 100 que têm no espaço por conta da PEC dos Precatórios também fora do teto, utilizando esse recurso para as emendas parlamentares. A população vai ser prejudicada porque a maneira como isso está sendo feito gera mais inflação e corrói o poder de compra.”

O teto de gastos é importante, disse a economista, para dar garantia e visibilidade para o investidor brasileiro e estrangeiro com relação ao comprometimento do governo em reduzir o seu nível de endividamento.

“Existe toda uma apreensão dos investidores em relação ao gerenciamento das contas públicas, e o teto dos gastos é que coloca essa garantia de que temos responsabilidade fiscal e não iremos nos endividar para pagar os gastos obrigatórios do governo.”

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