Fusões e aquisições voltam a se aquecer no Brasil após queda no 1º trimestre

Movimentação aconteceu principalmente nos setores de educação e de fintechs, startups do setor financeiro

Houve uma queda de cerca de 15% no número de negócios no primeiro trimestre ante o mesmo período do ano passado
Houve uma queda de cerca de 15% no número de negócios no primeiro trimestre ante o mesmo período do ano passado Getty Images

Aline Bronzati e Eduardo Laguna, do Estadão Conteúdo

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O mercado de fusões e aquisições (M&A, na sigla em inglês) no Brasil voltou a ganhar tração nas últimas semanas depois das transações se reduzirem no país em meio à combinação de fatores negativos no cenário macroeconômico, incluindo a guerra na Ucrânia.

Houve uma queda de cerca de 15% no número de negócios no primeiro trimestre ante o mesmo período do ano passado, conforme dados da Dealogic mencionados por especialistas durante evento organizado pela Brazilian-American Chamber of Commerce, na manhã desta terça-feira (19).

De acordo com a sócia do Mattos Filho, Luciana Pietro Lorenzo, é possível notar um maior movimento em M&As nas últimas semanas, principalmente nos setores de educação e de fintechs, startups do setor financeiro. “Estou otimista. Os negócios estão voltando”, afirmou ela.

O chefe de Assessoria Financeira da gestora Vinci Partners, Felipe Bittencourt, afirmou que apesar da queda nos negócios durante o primeiro trimestre, o Brasil está diante de uma oportunidade de avançar no mercado de M&As.

“O Brasil é a maior economia e tem uma democracia forte. Definitivamente, estamos diante de uma oportunidade de avançar e colocar o país em outro nível de qualidade de capital que atraímos”, disse, referindo-se à entrada de recursos estrangeiros no país.

Para o chefe de M&A para Brasil do UBS, Fabio Mourão, o Brasil também está diante de uma “enorme” oportunidade, quando considerado o movimento de reorganização global das cadeias de suprimentos e a necessidade de uma maior diversificação nos comércios como efeitos da pandemia e da guerra.

“Tivemos uma combinação de fatores (…) guerra, inflação, quando você põe todas juntas, há preocupações, mas não é um fenômeno brasileiro, vemos isso em outros mercados como nos EUA”, disse, ao explicar os fatores que provocaram a queda dos M&As no início do ano.

Segundo ele, o câmbio, uma das variáveis mais importantes nas avaliações de investimentos no país, deve se manter nos níveis atuais em função de fluxos de dólares puxados pelos juros altos e os elevados preços das commodities exportadas por empresas brasileiras.

Mourão, no entanto, ponderou que um aumento acima das expectativas dos Fed Funds, os juros básicos dos Estados Unidos, pode provocar um aumento de custo de capital que teria impacto nos negócios de aquisições.

Bittencourt, da Vinci Partners, disse que a redução das transações vista no primeiro trimestre já ocorreu no passado, quando o Brasil navegou em elevadas taxas de juros, como acontece agora. “Temos mais transações quando há uma visão mais estável para a economia”, disse.

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