Golpes digitais são os que fazem mais vítimas pelo Pix, alerta especialista

Apesar do aumento de sequestros-relâmpagos visando o Pix, Arthur Igreja destaca que internet ainda é o meio favorito dos criminosos

Produzido por Juliana Alvesda CNN

São Paulo

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As novas medidas anunciadas pelo Banco Central (BC) para o Pix são necessárias para aumentar a segurança das transações. A avaliação é do especialista em Tecnologia e Segurança Digital Arthur Igreja.

Em entrevista à CNN, ele destacou que a preocupação com o crescimento de sequestros-relâmpagos usando o Pix para roubar as vítimas motivou o BC a realizar mudanças no meio de pagamento.

“Estão tentando encontrar um equilíbrio entre usabilidade e segurança. Teremos de acompanhar pelos próximos meses para saber se as novas regras serão suficientes”, afirma.

Bloqueio de horários para transferências, limitação de valores e até a escolha dos destinatários estão entre as ações que o BC apresentou nesta sexta-feira para melhorar a segurança do sistema de pagamentos.

Dados da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo mostram que sequestros-relâmpago aumentaram 40% nos sete primeiros meses de 2021.

Apesar da Polícia Civil associar o crime à modalidade de pagamento implementada pelo BC em novembro, Arthur Igreja diz que os golpes digitais ainda são os que fazem mais vítimas pelo Pix.

“Temos dois movimentos que aconteceram de forma simultânea. De um lado, o ‘sequestro do WhatsApp,’ que no Brasil vitimou milhões de pessoas. Além disso, há quem crie contas para se passar por terceiros”, explica o especialista.

Igreja também aponta os sites falsos, que se passam por lojas conhecidas do público, como outro meio utilizado por estelionatários conseguirem transferências do Pix.

O especialista destaca que chaves Pix com dados pessoais, como o CPF, devem ser evitadas, pois, em caso de roubo de dados, a informação pode ser usada por criminosos. No entanto, ele lembra que a chave é usada apenas para receber recursos, não sendo possível acessar contas bancárias apenas com ela.

Para ele, é possível que o BC implemente ainda mais recursos para aumentar a segurança do Pix.

“Temos que lembrar que a tecnologia não é boa nem ruim, depende do uso que é feito dela. O Banco Central está tentando responder e, caso essa medida não seja suficiente, me parece que, no futuro, eles podem adotar medidas ainda mais rígidas, com mais fatores de autenticação.”

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