Governo criou uma crise que não estava no radar, diz professor sobre reajuste

Para Bruno Carazza, da Fundação Dom Cabral, aumento de 5% a servidores federais está sendo feito na base da pressão

Ingrid Oliveirada CNN

em São Paulo

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Bruno Carazza, professor da Fundação Dom Cabral, disse à CNN que o governo “acabou criando uma crise que não estava no radar”, ao comentar a decisão do governo federal de conceder aumento de 5% a todos os servidores federais a partir de julho.

“O governo, num agrado que procurou fazer a determinada categoria de servidores públicos, sinalizou um reajuste e isso acabou despertando toda a pressão de outras categorias”, afirmou.

medida do governo teria um impacto de cerca de R$ 6 bilhões neste ano, acima do R$ 1,7 bilhão previsto para reajustes salariais no orçamento deste ano.

Por isso, a equipe econômica ainda avalia como poderia viabilizar o montante transferindo para reajuste salarial verbas previstas de outras áreas do governo federal.

Para o professor, existem várias demandas na sociedade que precisam de atenção. “A gente vive uma situação de crise social, de desemprego, de inflação alta”, disse.

O especialista aponta que ao sinalizar um reajuste linear, e abaixo da inflação, o governo não atende ninguém. “Quando há análise do funcionalismo público, fica muito clara a dificuldade do governo em definir prioridades, principalmente em ano eleitoral”, disse.

Carazza explica que “isso [decisão do reajuste] gera uma grande dificuldade, porque as paralizações de servidores estão criando problemas sociais, problemas na gestão pública que batem na economia e em alguns setores essenciais, num quadro de crise econômica e com pouco espaço fiscal para atender esses pleitos de todas as categorias”.

Categorias em greve

O presidente decidiu aumentar o número de segmentos contemplados por um reajuste salarial, que antes era focado apenas nos servidores da área de segurança, já que Bolsonaro chegou a prometer reajuste aos policiais federais neste ano, mas depois decidiu suspender o aumento após reivindicações de outras categorias.

O governo enfrenta uma série de paralisações no funcionalismo público. Os servidores do Banco Central, por exemplo, estão em greve desde 28 de março, reivindicando reajuste salarial.

Os auditores da Receita Federal aprovaram paralisação em dezembro do ano passado e estão em operação padrão. Funcionários do INSS pararam as atividades em março reivindicando, entre outros pontos, uma recomposição salarial. Servidores do Tesouro Nacional também aprovaram paralisações pontuais neste mês.

Com informações de Thâmara Kaoru e Fernando Nakagawa, do CNN Brasil Business

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