Governo dos EUA proíbe China Telecom de operar no país

Ação ameaça aumentar novamente as tensões entre as duas maiores economias do mundo

Logotipo da China Telecom em Hangzhou, província de Zhejiang, no leste chinês
Logotipo da China Telecom em Hangzhou, província de Zhejiang, no leste chinês Costfoto/Barcroft Media via Getty Images

Jill Disisdo CNN Business

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Os Estados Unidos impediram uma grande empresa estatal chinesa de telecomunicações de operar no país por questões de segurança nacional – uma ação que ameaça aumentar novamente as tensões entre as duas maiores economias do mundo.

A Comissão Federal de Comunicações dos EUA disse na terça-feira (26) que ordenou à China Telecom que descontinuasse os serviços dos EUA em 60 dias, citando descobertas de que a subsidiária americana da empresa “está sujeita à exploração, influência e controle do governo chinês”.

A empresa também tem “grande probabilidade de ser forçada a cumprir as solicitações do governo chinês sem procedimentos legais suficientes, sujeitos à supervisão judicial independente”.

A ação da FCC vem de uma longa disputa com a China Telecom, que opera nos Estados Unidos há quase duas décadas. A agência disse que deu à empresa uma oportunidade em dezembro passado de refutar as preocupações sobre sua presença nos Estados Unidos, mas que a China Telecom não fez isso.

A China Telecom não respondeu imediatamente aos pedidos de comentários da CNN Business. Um porta-voz da subsidiária americana disse à Reuters que a decisão da FCC foi “decepcionante”.

“Planejamos buscar todas as opções disponíveis enquanto continuamos a servir nossos clientes”, disse o porta-voz.

A principal atividade da empresa está na China. Ela diz que tem cerca de 370 milhões de clientes móveis.

A China Telecom não divide seus clientes por região. Sua subsidiária americana foi incorporada em 2002, e a empresa afirma prestar serviços a empresas e transportadoras entre as Américas e a China.

Esta não é a primeira vez que a China Telecom é alvo de ações punitivas dos Estados Unidos.

Em janeiro, a Bolsa de Valores de Nova York anunciou que retiraria da lista três ações de telecomunicações chinesas – incluindo a China Telecom – para cumprir uma ordem executiva assinada pelo então presidente Donald Trump. A ordem proibiu os americanos de investirem em empresas que o governo dos EUA suspeita pertencerem ou serem controladas pelos militares chineses.

Desde então, a China Telecom parou de comercializar nos Estados Unidos. As ações listadas em Hong Kong caíram 0,7% na quarta-feira.

Nos últimos anos, os EUA têm como alvo outras grandes empresas chinesas com sanções. Trump em 2019 proibiu as empresas americanas de usar equipamentos de telecomunicações de fontes que a administração considera ameaças à segurança nacional – uma ordem que impactou diretamente a empresa chinesa Huawei, uma importante fornecedora global de equipamentos de telecomunicações.

A Huawei há muito diz que é uma empresa privada que opera independentemente do governo chinês, mas os Estados Unidos acusaram a empresa de representar uma ameaça à segurança nacional.

Embora o presidente Joe Biden tenha adotado um tom diferente com Pequim do que seu predecessor ousado e franco, as relações entre os Estados Unidos e a China não melhoraram significativamente.

Na verdade, as tensões aumentaram recentemente depois que Biden disse que os Estados Unidos estavam comprometidos em vir em defesa de Taiwan se a ilha autônoma estivesse sob ataque da China.

Os comentários pareciam contrastar com a política declarada dos Estados Unidos de “ambigüidade estratégica” em relação a Taiwan, embora a Casa Branca tenha afirmado que não houve mudança na política.

O Ministério das Relações Exteriores da China, porém, alertou horas depois dos comentários que os Estados Unidos não deveriam enviar “nenhum sinal errado às forças separatistas da independência de Taiwan”.

Embora o Partido Comunista Chinês nunca tenha governado Taiwan, Pequim considera a ilha uma “parte inseparável” de seu território e tem repetidamente ameaçado usar a força, se necessário, para impedir que a ilha declare formalmente a independência.

(Texto traduzido. Clique aqui para ler o original em inglês)

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