Governo prepara lançamento de Plano Nacional de Fertilizantes

Entre os países com larga escala de produção agrícola, o Brasil é o único sem autonomia no fornecimento de fertilizantes

Thais Herédiada CNN

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O governo federal já tem pronto um Plano Nacional de Fertilizantes com diretrizes para aumentar investimentos na produção e reduzir a dependência de cerca de 85% de importação do produto usado na agricultura.

Entre os países com larga escala de produção agrícola, o Brasil é o único sem autonomia no fornecimento de fertilizantes, o que parece um contrassenso dado o peso do agronegócio brasileiro no comércio internacional.

Fontes que participaram da discussão e da elaboração do plano confirmaram à CNN Brasil que um decreto presidencial deve ser publicado em breve com as principais diretrizes e metas de execução do projeto. O objetivo não será a autossuficiência do país, mas reduzir a 60% a importação de fertilizantes para tratamento das áreas de plantio.

O ponto de partida, após publicado o decreto, será promover um mapeamento geológico do país para descoberta dos minerais necessários para a produção, como potássio e fósforo. Sem a matéria-prima, não há como escapar das importações.

“A mineração é chave, por isso a estratégia começa pelo mapeamento geológico no país para permitir os investimentos. Temos áreas com potencial, com viabilidade logística, mas há outros entraves socioeconômicos, como a questão da tributação que precisará ser revista”, disse a fonte do governo ouvida pela coluna.

O prazo para atingir a meta de redução das importações é longuíssimo e mantém o país numa posição de fragilidade diante dos riscos de desabastecimento de fertilizantes no mundo. “Eu participei do grupo de discussão do plano e a conclusão é que são necessários investimentos altíssimos para reduzir a nossa demanda em 20% ou 30%, mas demora no mínimo 20 anos para ter um bom resultado”, disse Roberto Rodrigues, que foi ministro da Agricultura.

Apesar de ter uma das maiores áreas plantadas do mundo, com altíssima produtividade, Rodrigues explica que a qualidade da terra brasileira é “pobre” e precisa de muito adubo.

“A terra brasileira é pobre nos principais produtos químicos para garantir o plantio. A variação de qualidade da terra também é muito grande, em diferentes regiões. Portanto, o fertilizante é fundamental para o desenvolvimento do agronegócio no país. Ao contrário do que muita gente imagina desde a ‘grande mentira’ contada por Pero Vaz Caminha de que ‘nesta terra, em se plantando tudo dá’”, diz o ex-ministro.

Rodrigues não quis comentar a viagem do presidente Jair Bolsonaro (PL) à Rússia, mas ressaltou a importância de o Brasil manter diálogo aberto e constante não só com os russos, mas também com Canadá, China e Marrocos, de onde o país compra muitos fertilizantes, além de garantir acordos comerciais para equilibrar a balança comercial.

“Nós temos que conversar com todos eles. É estratégico assim como a abertura do nosso mercado, o fechamento de acordos comerciais com grandes consumidores dos nossos produtos. Em agricultura, a abundância é muito mais grave do que escassez, porque ela demanda gestão de estoques. Nós já queimamos muito café porque não havia compradores. Além de garantir os fertilizantes, o Brasil precisa de acordos comerciais para não correr tantos riscos”, avalia Roberto Rodrigues.

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