Guedes afirma que Brasil é solução para problemas climáticos

Ministro da Economia diz ainda que o país tem chance de entrar na OCDE e que doará 12 milhões de vacinas contra Covid-19 a países mais pobres

Ligia TuonMathias Broteroda CNN

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O Brasil tem se destacado em acordos internacionais e tem potencial não só de fazer parte da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) como de liderar a formação de políticas sobre preservação do meio ambiente, disse neste domingo (31) o ministro da Economia, Paulo Guedes.

“Temos nos destacado nos acordos internacionais com nosso engajamento no esverdeamento do mundo, na contribuição nos planos de impostos. Contribuímos para o plano de tributação mínima global de 15% a multinacionais, além de defendermos a tributação de excessos de lucro de superempresas”, afirmou Guedes, que está na comitiva do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), para o encontro com líderes do G20.

Guedes disse que tem participado nos últimos meses de reuniões com o secretário-geral da OCDE, que, segundo o ministro, tem trabalhado junto ao Brasil.

“O Brasil  tem papel importante, decisivo para resolver o problema do clima no mundo, e sinto que há boa vontade no exterior tanto em relação à nossa entrada na OCDE quanto ao papel potencial que temos como um formulador de políticas nesse setor”, diz.

Para isso, porém, o país deve reduzir a zero o desmatamento ilegal de florestas, na avaliação do ministro, o que deve ser levado à COP (sigla para Conferência das Partes), a cúpula climática da Organização das Nações Unidas (ONU), cuja 26ª edição começa neste domingo.

“Claro que teremos que ter uma política de zero desmatamento ilegal. Isso tudo será o que a gente vai levar para a COP26. Levaremos também nosso programa de crescimento verde, com eixo de US$ 2,5 bilhões à infraestrutura sustentável. Não só em relação à floresta amazônica, mas no tratamento de lixo sólido, toda a parte de saneamento de esgoto nas áreas urbanas”, detalhou.

Guedes defende ainda que o Brasil seja recompensado com um “pagamento pelos serviços de preservação ambiental”. “É como se fosse um mercado de carbono. Eles têm que nos ajudar reconhecendo a nossa preservação dos recursos naturais”, afirmou.

“Eles não estavam informados em relação à posição brasileira sobre a questão climática. Cada vez mais eles estão percebendo que temos, sim, frontes vulneráveis, como o desmatamento, mas temos muitas virtudes”.

Vacinação desigual

Guedes diz ainda que as reuniões a grande conclusão sobre a vacinação contra a Covid-19 nas reuniões do G20 foi em relação à desigualdade, já que regiões como a África, por exemplo, não tem nem 0,5% de sua população imunizada.

Nesse cenário, o Brasil é um grande destaque, diz o ministro.

“Existe a preocupação com acesso desigual às vacinas. Uma surpresa deles é que o Brasil é um dos países que mais vacinaram. Além disso, a economia aqui voltou rápido e isso os surpreendeu. O Brasil caiu menos, voltou mais rápido e está crescendo mais que várias economias avançadas”, diz.

O ministro disse ainda que o Brasil vai doar 12 milhões de vacinas em um ou dois meses, quando o país concluir a vacinação da maior parte da população adulta.

Mais cedo, após participar da última reunião com a Cúpula do G20, na Itália, o ministro da Saúde Marcelo Queiroga disse, com exclusividade à CNN, neste domingo (31), que o Brasil poderá cooperar com a doação de vacinas contra a Covid-19 para os países pobres.

Guedes falou também da visão entre os líderes do G20 sobre a falta de cooperação entre os países desenvolvidos para a doação das doses.

“Houve certa confissão de deficiência na cooperação internacional. Tinham se comprometido em distribuir 2 bilhões de vacinas e isso não aconteceu. O Brasil pagou 150 bilhões de dólares para a Covax, por exemplo, e eles se comprometeram em nos dar 40 milhões de doses e deram só 10 milhões. Ou seja, o Brasil fez sua parte e não recebeu a contrapartida”, diz.

PEC dos Precatórios

Pela manhã, Guedes havia se manifestado sobre a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) dos Precatórios. O ministro disse que o governo não trabalha com caminho alternativo à PEC para viabilizar a extensão do Bolsa Família, que passa a chamar Auxílio Brasil a partir de novembro.

“Estamos trabalhando com o plano A, que é a PEC que abre espaço fiscal para o programa de assistência social. Acreditamos que o Congresso vai aprovar, justamente porque permite financiamento de programas sociais do governo”, disse Guedes ao ser questionado pelo repórter da BBC News Brasil Matheus Magenta.

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