Guedes diz que tom crítico ao governo em manifesto teria partido da Febraban

O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, disse à CNN Brasil que a publicação do documento solicitando a harmonia entre os Três Poderes foi prorrogada com o objetivo de permitir novas adesões

Ligia Tuondo CNN Brasil Business

São Paulo

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O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse a jornalistas nesta segunda-feira (30) que teria partido da Febraban o tom crítico em manifesto em favor da democracia proposto pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). Segundo ele, teria sido pela falta de acordo entre a representante dos bancos e a das indústrias em relação ao conteúdo do documento que divulgação foi adiada.

“A informação que eu tenho é que havia um manifesto em defesa da democracia, o que não teria problema nenhum, mas alguém da Febraban teria mudado isso para ser um ataque em governo, e a própria Fiesp suspendeu. Parece que foi por isso, não estão chegando a um acordo”, disse.

O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, disse à CNN Brasil que a publicação do documento solicitando a harmonia entre os Três Poderes foi prorrogada com o objetivo de permitir novas adesões.

Segundo Guedes, essa pode ter sido a razão também que embasou os rumores de que a Caixa e o Banco do Brasil cogitaram sair da Federação, já que não poderiam endossar um manifesto contra o governo.

A adesão da Febraban chamou atenção do mercado, segundo a analista de economia da CNN Thaís Herédia, pois a entidade, tradicionalmente, se mantém silenciosa.

Segundo ela, ainda não há nenhuma resposta do mercado a esses ruídos, justamente pela falta de clareza sobre o que está acontecendo. “Diante de um cenário de muito ruído, fica difícil dar preço, mas também ninguém sai do lugar, pois não há previsibilidade”, disse.

Resposta da Febraban

Em nota, a Febraban nega que tenha tido intenção de atacar o governo e diz que o manifesto “A Praça é dos Três Poderes”, articulado pela Fiesp e apresentado na última quinta-feira às entidades empresariais com prazo de resposta até 17 horas da sexta-feira, é fruto de elaboração conjunta de representantes de vários setores, inclusive o financeiro, ao longo da semana passada.

“Desde sua origem, a Febraban não participou da elaboração de texto que contivesse ataques ao governo ou oposição à atual política econômica. O conteúdo do manifesto pedia serenidade, harmonia e colaboração entre os Poderes da República e alertava para os efeitos do clima institucional nas expectativas dos agentes econômicos e no ritmo da atividade. A Febraban submeteu o texto a sua própria governança, que aprovou ter sua assinatura no material. Nenhum outro texto foi proposto e a aprovação foi específica para o documento submetido pela FIESP. Sua publicação não é decisão da federação dos bancos. A Febraban não comenta sobre posições atribuídas a seus associados”.

 

 

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