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    Guerra na Ucrânia gera reflexão sobre riscos da globalização, diz especialista

    À CNN, diretora-executiva do ICC Brasil avalia que Brasil pode se aproveitar de oportunidades com realocação de cadeias de valor

    Ester CassaviaPedro Pimentada CNN*João Pedro Malardo CNN Brasil Business

    em São Paulo

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    Com a guerra entre Ucrânia e Rússia completando um mês, um dos efeitos do conflito para a economia é o impacto na visão sobre a globalização, gerando questionamentos sobre os riscos que esse processo trouxe, segundo Gabriella Dorhliac, diretora-executiva da Câmara Internacional de Comércio (ICC) no Brasil.

    Em entrevista à CNN nesta quinta-feira (24), ela afirma que a guerra não representa necessariamente um retrocesso da globalização, mas sim uma “reflexão dos riscos de uma globalização 100%, e como as empresas, setor privado, podem amenizar, criar alternativas, resiliência na cadeia de suprimento que proteja o seu negócio”.

    “Às vezes a concentração em um país como fornecedor é tão grande que qualquer problema tem um impacto global, vira uma onda, quase tsunami. Os países e empresas têm refletido sobre como minimizar esses impactos”, afirma.

    Uma alternativa que tem ganhado força é a chamada regionalização de cadeias, que são trazidas para locais próximos de grandes compradores.

    Para Dorhliac, esse fenômeno é uma “oportunidade grande” para o Brasil, que pode se tornar fornecedor de uma série de novos produtos, como fertilizantes, aproveitando janelas que se abriram.

    Segundo ela, “o xadrez geopolítico está sendo repensado em termos de quem produz o que, os riscos nas regiões e como pode criar uma nova rede de fornecedores, o que não é fácil, simples, e pode levar anos, mas é um reposicionamento. Repensar como colocar globalização, de forma um pouco mais resiliente e menos vulnerável a crises de grande escala como a pandemia seguida da guerra”.

    Essas reflexões estão ligadas, por exemplo, à disparada de preços de uma série de commodities, como o petróleo e o trigo, que são produzidas pela Rússia e pela Ucrânia.

    “Nós vimos um aumento grande no preço de commodities, petróleo, trigo, fertilizantes, que têm um impacto muito relevante ao redor do globo, fora a incerteza e instabilidade que qualquer conflito armado gera, e pode ter impacto em como os investidores alocam o dinheiro, o quão conservadores vão ser”, diz a especialista.

    A Rússia, por exemplo, fornece 10% da energia do mundo, entre gás e petróleo, e o envolvimento no conflito gera uma pressão em outros produtos além das commodities devido ao encarecimento do petróleo.

    Dorhliac afirma ainda que “esse impacto inflacionário, seja nos alimentos ou combustíveis, acaba impactando de maneira desproporcional as casas de menor renda, porque eles gastam muito mais proporcionalmente em alimento e gás, outros tipos de combustíveis, que casas de maior renda”.

    O cenário inflacionário já era ruim devido às consequências da pandemia, e a combinação com a guerra deve gerar “vários meses de incertezas pela frente”.

    *Sob supervisão de Ludmila Candal

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