Guerra preocupa setor agropecuário brasileiro, que teme um desabastecimento

Associação nacional afirma que Brasil tem estoque de fertilizantes para os próximos três meses

Cerca de 85% da demanda de fertilizantes do Brasil é fruto de importações
Cerca de 85% da demanda de fertilizantes do Brasil é fruto de importações 06/02/2014 REUTERS/Paulo Whitaker

Lucas Janoneda CNN

Rio de Janeiro

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Um levantamento da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), divulgado nesta quinta-feira (3), aponta que o Brasil possui um estoque de fertilizantes agrícolas apenas para os próximos três meses.

Os dados foram levantados com base em dados do mercado, em conjunto com pesquisas da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

A guerra no leste europeu preocupa o setor agropecuário brasileiro. O segmento teme um desabastecimento dos fertilizantes, já que os russos são os principais fornecedores do produto usado nas lavouras brasileiras.

Atualmente, a Rússia representa cerca de 30% da importação do insumo para o Brasil. Os fertilizantes funcionam como um adubo, usados para preparar e estimular a terra para o plantio.

Em consulta a dados públicos do governo federal, a CNN apurou que o Brasil importou mais de 1,5 mil toneladas de insumos para fertilizantes dos russos em 2021. Em valores absolutos, a Rússia só ficou atrás do Marrocos, que representa 37,9% do mercado brasileiro de fertilizantes.

“O mercado está de olho no conflito. A guerra preocupa bastante para a nova sofra, que começa a ser plantada a partir do meio do ano, que é a safra de soja e milho. Isso porque o Brasil é muito dependente da Rússia, que é o segundo maior ‘player’ do insumo para gente. Existe um alerta ligado, sim”, afirmou o especialista do Safras & Mercado, Luiz Fernando.

Ainda de acordo com a ANDA, o setor aponta a dificuldade na logística marítima como o maior problema para o segmento, “por conta das restrições que inibem temporariamente o fluxo de navios à região do conflito”. O comunicado destaca ainda que a guerra “acarreta dificuldades para transportar os insumos, como registrado nas operações no Mar Negro”.

Em contrapartida, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, durante conversa com a CNN, nesta quarta-feira (2), garantiu que o Brasil tem “estoque de passagem para chegar até a próxima safra, em outubro”.

Ela pontuou que a situação no Leste Europeu é “preocupante” e está sendo “acompanhada com cautela” pelo Ministério da Agricultura principalmente pelo fato de o país ter “forte dependência de importação” de alguns fertilizantes.

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