Ibovespa cai 2% e volta aos 92 mil pontos em meio a incertezas globais

Na véspera, mercados internacionais sofreram com quedas expressivas após projeções preocupantes do Fed para economia dos EUA

Pregão na bolsa paulista, a B3 (24.mai.2016)
Pregão na bolsa paulista, a B3 (24.mai.2016) Foto: Paulo Whitaker/Reuters

Do CNN Brasil Business, em São Paulo*

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O mercado de ações brasileiro teve um dia de forte queda nesta sexta-feira, respondendo a um revés no otimismo global depois que fez as bolsas globais despencarem no dia anterior. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, caiu 2%, a 92.795,71 pontos. Na semana, a queda acumulada foi de 1,95%.

Na quinta-feira, investidores viram as ações despencar no exterior depois de o banco central norte-americano reafirmar prognósticos duros para a economia e em meio ao temor de que as infecções por coronavírus possam ter uma segunda onda. A bolsa brasileira não funcionou devido ao feriado de Corpus Christi. 

Os principais índices de Wall Street caíram mais de 5% na quinta-feira, nas maiores quedas desde março. Nesta sexta, recuperaram as perdas parcialmente: o índice Dow Jones subiu 1,9%, o S&P 500 avançou 1,3% e o Nasdaq ganhou 1%.

Os Estados Unidos passaram ontem a marca dos 2 milhões de infectados por coronavírus, e os dados, consolidados pela universidade americana Johns Hopkins mostram que quase a metade dos estados americanos ainda apresentam tendências de alta no registro de novos casos diários da doença. A leitura do mercado é de que a o relaxamento gradual que começou a ser feito em diversos países possa ser mais difícil do que o imaginado.

Na quarta-feira, o Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, decidiu por manter as taxas de juros de referência do país na banda de 0% a 0,25% ao ano. Em seu comunicado, o comitê indicou que não vê espaço ainda para voltar a subir os juros e reafirmou a necessidade de manter as políticas de estímulos ao mercado, como o programa extraordinário de compras de títulos que vem promovendo desde o início da crise.

Para analistas, novas correções fortes não serão surpreendentes, levando em conta que há ainda muito risco embutido nas altas recentes dos mercados. No Brasil, a recuperação da economia após a pandemia deverá ser mais lenta do que o esperado anteriormente, afirmou o estrategista da Terra Investimentos, Marco Harbich.

“Ao contrário da expectativa do mercado, a retomada da economia não será em ‘V’, seguirá bastante lenta a partir do quarto trimestre deste ano”, afirmou, acrescentando que prevê uma queda de 6,3% no PIB do Brasil este ano.

Lá fora

As ações europeias acompanharam a tendência de Wall Street e fecharam em leve alta após as fortes perdas da sessão anterior. O índice FTSEurofirst 300 0,24%, a 1.382 pontos, enquanto o índice pan-europeu STOXX 600 ganhou 0,28%, a 354 pontos.

Na China, as ações recuperaram perdas iniciais e fecharam o dia em alta, lideradas pelo setor de tecnologia. O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, avançou 0,18%, enquanto o índice de Xangai teve variação negativa de 0,04%. Ambos os índices chegaram a cair até 1,7%, logo após o início dos negócios, pressionados pela queda em Wall Street na véspera.

*Com Reuters

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