Fed reafirma juros próximos de zero e promete manter compras de títulos


Do CNN Brasil Business, em São Paulo*
10 de junho de 2020 às 15:24 | Atualizado 10 de junho de 2020 às 17:39
Fed

Edifício do Federal Reserve em Washington, Estados Unidos (19.mar.2019)

Foto: Leah Mills/Reuters

O Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano, repetiu nesta quarta-feira sua promessa de suporte extraordinário contínuo para a economia, com as autoridades projetando contração de 6,5% do Produto Interno Bruto este ano e taxa de desemprego de 9,3% ao final de 2020.

A autoridade decidiu por manter os juros no atual patamar, próximo de zero, e indicou que não deve voltar a subi-los tão cedo. As projeções econômicas feitas pelo Fed, as primeiras desde dezembro, apontam para a taxa de juros perto de zero até ao menos 2022.

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"A crise de saúde pública pesará com força sobre a atividade econômica, emprego e inflação no curto prazo e apresenta riscos consideráveis para as perspectivas econômicas no médio prazo", disse o banco central dos Estados Unidos em seu comunicado de política monetária, publicado na tarde desta quarta-feira (10). 

"À luz desses eventos, o Comitê decidiu manter o alvo para as taxas dos fundos federais de 0 a 1/4 porcentro (0% a 0,25%). O Comitê espera manter esta banda até que esteja confiante que a economia tenha resistido aos eventos recencentes e esteja na trilha de alcançar os objetivos de máximo emprego e estabilidade de preços."

Embora a maior parte do comunicado tenha repetido a linguagem da reunião de abril, o banco central prometeu manter as compras de títulos "no ritmo atual" de cerca de US$ 80 bilhões por mês em Treasuries e US$ 40 bilhões por mês em títulos lastreados --um sinal de que começa a formatar sua estratégia de longo prazo para a recuperação econômica.

A expectativa é de que isso comece de fato em 2021 com um crescimento projetado de 5%.

A promessa de manter a política monetária frouxa até que a economia dos Estados Unidos esteja nos trilhos repete o compromisso já feito na resposta do banco central à pandemia de coronavírus.

Essa resposta incluiu o corte de sua taxa de juros para perto de zero em março e a disponibilização de trilhões de dólares em crédito a bancos, empresas financeiras e uma série de companhias.

Mas as projeções são as primeiras a serem divulgadas desde dezembro e oferecem uma visão das autoridades sobre a rapidez com que o emprego e a economia podem se recuperar e uma indicação inicial de quanto tempo os juros se manterão baixos.

Durante a maior parte do ano passado os membros do banco central dos EUA consideraram estar em posição invejável, com desemprego na mínima recorde, inflação contida e forte expectativa de que ambas continuariam assim.

Mas a pandemia jogou tudo isso por água abaixo no que pode ser uma luta de anos para levar os norte-americanos de volta ao trabalho após cerca de 20 milhões de empregos terem sido perdidos entre março e maio.

Coletiva 

Em declarações à imprensa que reconheceram os protestos contra a desigualdade racial que eclodiram nas últimas semanas o chair do Fed, Jerome Powell, disse que o banco central estava comprometido em tentar reestabelecer os empregos e o crescimento.

"O trabalho do Fed envolve comunidades, famílias e empresas de todo o país. Estamos comprometidos em usar todo o nosso conjunto de ferramentas... Para garantir que a recuperação irá ser a mais robusta possível", afirmou Powell em um briefing via videoconferência. "É um longo caminho. Vai levar algum tempo."

Em um ponto positivo, o Fed não reduziu suas estimativas de longo prazo de pleno emprego, tendência de crescimento e taxa de fundos federais, em um sinal de que as autoridades acham que o país pode escapar de danos permanentes.

Anos de luta 

A promessa de manter a política monetária frouxa até que a economia dos EUA esteja de volta aos trilhos repete o compromisso já feito antes na resposta do banco central à pandemia de coronavírus.

Mas as projeções são as primeiras a serem divulgadas desde dezembro e oferecem uma visão das autoridades sobre a rapidez com que o emprego e a economia podem se recuperar e uma indicação inicial de quanto tempo os juros irão se manter baixos.

*Com Reuters

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