Inflação é freio para vagas e rendimentos no mercado de trabalho, diz economista

À CNN Rádio, pesquisador do FGV IBRE Daniel Duque disse que recuperação continuará lenta neste ano

Pessoa mostra carteira de trabalho em fila de emprego em São Paulo
Pessoa mostra carteira de trabalho em fila de emprego em São Paulo 29/03/2019REUTERS/Amanda Perobelli

Amanda GarciaBel Camposda CNN

em São Paulo

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A abertura de 328,5 mil vagas formais de trabalho em fevereiro, segundo divulgado nesta terça-feira (29) pelo Caged, é uma “surpresa positiva, que veio acima do esperado”, de acordo com o pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV-IBRE) Daniel Duque.

“Ainda estamos vendo criação de empregos no setor de serviços, puxada pelo fim de todas as restrições sanitárias e, claro, pela vacinação de toda a população contra a Covid-19”, afirmou, em entrevista à CNN Rádio.

De acordo com o economista, a recuperação é positiva, embora tenha sido puxada pela administração pública. Segundo ele, “não dá para esperar grandes milagres do mercado de trabalho”.

“A recuperação será mais lenta, com massa de rendimentos estagnada ou caindo, devido à inflação.”

A questão da renda, para Duque, preocupa. Dados do Caged e Pnad mostram perda do poder de compra forte, devido à pressão inflacionária.

“Os reajustes não chegam perto de repor essa perda, que gira em torno de 10%. Vamos continuar vendo ao longo de 2022 uma recuperação de emprego, mas com salários mais baixos”, completou.

O pesquisador reforçou que uma pressão inflacionária forte no setor de alimentos e energia ainda está em vista, o que fará a renda cair mais.

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