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    Inflação em janeiro afetou principalmente os mais pobres, aponta Ipea

    Preços de alimentos e habitação foram os que mais impactaram as famílias com renda inferior a R$ 1.808,79 mensais

    Preços da batata e da carne bovina, que registraram alta de 11,7% e 1,3%, respectivamente, são os maiores vilões para famílias de renda "muito baixa"
    Preços da batata e da carne bovina, que registraram alta de 11,7% e 1,3%, respectivamente, são os maiores vilões para famílias de renda "muito baixa" Foto: REUTERS/Pilar Olivares

    Lucas Janoneda CNN

    no Rio de Janeiro

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    A inflação desacelerou em janeiro, de forma sutil, para todas as classes econômicas no Brasil, segundo os dados divulgados, nesta terça-feira (15), pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

    No entanto, de acordo com o estudo, o indicador ainda afeta principalmente os mais pobres do país.

    A população com poder aquisitivo “muito baixo”, grupo que tem a renda familiar mensal menor que R$ 1.808,79, apresentou a maior taxa inflacionária em janeiro, com o índice marcando 0,63%. No mês anterior, o indicador era de 0,74%.

    No compilado dos últimos 12 meses, a inflação para essas famílias registra um acumulado de 10,5%.

    O estudo mostra que os alimentos são os maiores responsáveis pela dificuldade financeira entre os mais pobres do país. A pesquisa destaca os preços da batata e da carne bovina, que registraram alta de 11,7% e 1,3%, respectivamente, como os maiores vilões para esses consumidores.

    As frutas também apresentaram um aumento nos custos no último mês.

    “Os expressivos aumentos dos produtos in natura – cenoura (27,6%), laranja (14,9%), banana (11,7%) e batata (9,7%) –, além das carnes (1,3%), do café (4,8%) e do óleo de soja (1,4%), fizeram com que a alta do grupo de alimentos e bebidas fosse responsável por quase metade da inflação apurada nesse segmento de renda, em janeiro”, aponta o Ipea.

    Com menor intensidade, o setor de habitação, que engloba itens como higiene pessoal e eletrodomésticos, também impactou a população de renda “muito baixa” em janeiro, segundo o Ipea. O segmento registrou um reajuste de 2,4% para o período.

    Entre os produtos desse setor que mais afetam o grupo, aparece o botijão de gás, que registra uma alta no preço de quase 50% em dois anos, segundo levantamento da CNN.

    Em contrapartida, a população com maior poder financeiro no Brasil teve um alívio da inflação no mês passado, após um tombo no índice, segundo o Ipea.

    O Indicador Ipea de Inflação mostra que a população de renda “alta” foi de 0,34% em janeiro, quando comparado com dezembro de 2021. Em dezembro, a inflação sentida pelo grupo era de 0,82%. A variação acumulada nos últimos 12 meses para esses consumidores foi de 9,6%.

    Os bons resultados para as famílias de renda “alta”, que recebem mensalmente mais de R$ 9 mil, estão ligados ao arrefecimento da inflação na energia, em função da melhora no cenário hídrico, do transporte por aplicativo e nas passagens aéreas, por conta do barateamento da gasolina.

    Divulgados na última sexta-feira (11), dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram uma redução no preço médio nacional, chegando a R$ 6,61 por litro.

    “É possível observar que, enquanto para as classes de renda mais baixa todos os grupos de bens e serviços apresentaram contribuições positivas para a inflação, em janeiro, para as demais faixas, o grupo de transportes trouxe algum alívio inflacionário”, destaca um trecho da pesquisa.

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