Ipea reduz projeção de crescimento para o PIB de 2022 de 2% a 1,8%

Para 2021, a previsão do instituto vinculado à estrutura do Ministério da Economia continua em 4,8%, definido em junho

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Stéfano SallesThayana Araújoda CNN

Rio de Janeiro

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O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), vinculado à estrutura do Ministério da Economia, revisou para baixo a projeção de crescimento do PIB para 2022: passou de 2% para 1,8%.

A mudança, anunciada nesta quinta-feira (30), no documento “Visão Geral da Conjuntura”, foi justificada pelo cenário de persistência de inflação alta, com impacto no poder de compra da população, o que provocaria um aperto financeiro maior que o previsto até então. Os técnicos reiteraram ainda que, em agosto, o endividamento das famílias atingiu seu pior patamar histórico.

O instituto manteve ainda a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 4,8%, anunciada em junho. Os especialistas do órgão preveem ainda um crescimento de 4,6% no segundo trimestre deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado.

No entanto, os especialistas do Ipea indicam que o crescimento do setor agropecuário e o aumento da arrecadação dos estados contribuíram para que a variação fosse baixa. Os pesquisadores do instituto entendem que a desvalorização cambial, a alta dos preços internacionais das commodities e a crise hídrica são responsáveis pela inflação alta.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do país, já chega nos dois dígitos em 12 meses, muito acima do teto da meta para o ano, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CNM), de 5,25%. O instituto prevê que o indicador chegue ao fim de dezembro com 8,6%.

A expectativa para 2022 é de redução do ritmo de aumento de preços, o que resultaria em um IPCA de 4,1%. Já o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede o impacto da inflação para famílias metropolitanas de até cinco salários mínimos, a projeção é de 4,1%, levemente acima dos 3,9% da meta.

O documento fez ainda referência à pior crise hídrica já enfrentado pelo país, que não tem perspectiva de melhora, e ao avanço da campanha de imunização contra a Covid-19. Os pesquisadores constataram que ela tem feito com que a mobilidade urbana nas cidades se aproxime da normalidade. O Grupo de Conjuntura do Ipea divulgou também nesta quinta-feira os indicadores mensais de atividade econômica.

Para agosto, eles estimam um avanço de 0,1% no setor de serviços em relação ao desempenho de julho, e aumento de 0,6% na produção industrial. No entanto, projetam também uma queda de 1,1% no comércio varejista. Quando comparados com o mesmo período do ano passado, os três quesitos apresentam evolução, com destaque para o setor de serviços: aumento de 15,7%.

O desempenho do comércio varejista foi impactado pelo momento ruim do setor automotivo, que sofreu com o aumento de preços de insumos como aço e borracha. Posteriormente, segmento passou a sentir ainda o impacto da alta na tarifa de energia. Segundo a Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a produção de carros de passeio caiu 16,5% no trimestre móvel encerrado em agosto, e a de veículos comerciais leves apresentou baixa de 4,6%.

No mesmo período, a produção de caminhões aumentou 11,4%, impulsionada pela safra agrícola recorde e pelo crescimento da busca por commodities pelo mercado internacional.

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