iPhone 13 conquista mais compradores que seu antecessor na China; entenda

O interesse maior na nova versão do celular não é arbitrário

Na China, iPhone 13 faz mais sucesso que antecessor
Na China, iPhone 13 faz mais sucesso que antecessor Reprodução/Apple

Tamires Vitoriodo CNN Brasil Business*

em São Paulo

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O iPhone 13 parece ter caído com força no gosto dos consumidores chineses — ao menos é o que apontam os números da pré-venda do mais novo smartphone da Apple no país asiático.

De acordo com o jornal chinês South China Morning Post, o número de pedidos feitos na pré-venda já ultrapassou a casa dos 5 milhões, sendo que a revendedora oficial da Apple no país, a JD.com, é responsável por mais de 3 milhões dos dispositivos garantidos.

Na quinta-feira passada, (16), apenas dois dias após o evento oficial da Apple que apresentou a nova família de smartphones, as pré-vendas já haviam passado de 2 milhões. Em 2020, durante o mesmo período, foram reservados 1,5 milhão de iPhones 12.

O interesse maior na nova versão do celular não é arbitrário.

Os valores dos novos aparelhos começam em 5.199 iuanes (ou US$ 804) para o iPhone 13 Mini, 5.999 iuanes para o iPhone 13 e 7.999 iuanes para o iPhone 13 Pro, cerca de 300 a 800 iuanes a menos dos preços da linha do iPhone 12.

O segundo fator, no entanto, mostra que nem tudo são flores — ou melhor, maçãs — no mundo da tecnologia. Todo o frisson em cima do iPhone 13 pode ser um efeito das sanções norte-americanas feitas à chinesa Huawei, que não produziu, neste ano, um celular topo de linha para competir com a Apple.

Em julho, a Huawei colocou no mercado os celulares P50 e P50 Pro, ambos sem suporte para a rede 5G, uma vez que a empresa tem acesso limitado às tecnologias mais recentes dos Estados Unidos.

“Não há um smartphone [no mercado] que possa ameaçar o iPhone 13 e que esteja acima dos 5 mil iuanes (US$ 776 ). Na China, não existe um produto que seja tão forte como a antiga série Huawei Mate”, disse o analista-sênior da Counterpoint Research, Ethan Qi, ao jornal chinês.

Mesmo com as sanções e o interesse pelo iPhone, a Huawei ainda possui a maior fatia do mercado mobile chinês, com 37,31%, enquanto a Apple fica em segundo, com 20,73%, segundo o site de análise StatCounter.

Além do Oriente

Não é só na China que o iPhone 13 deve ganhar mais popularidade que seu antecessor. Segundo a analista do Morgan Stanley, Katy Huberty, a pré-venda da versão Pro do smartphone “começou promissora”, com uma “demanda inicial forte”. Em um relatório, o analista Ming-Chi Kuo, do TF International Securities, afirmou que existe uma expectativa de crescimento de 16% no número de iPhones exportados em 2022.

Em alguns lugares, como no Reino Unido, encontrar uma versão do iPhone 13 já se tornou uma tarefa um tanto quanto complicada. O jornal Manchester Evening News, por exemplo, afirmou que na Amazon o produto já está esgotado.

O também britânico Wales Online afirma que, com a venda oficial do aparelho, que começou nesta sexta-feira (24), as versões Pro e Pro Max já estão esgotadas em praticamente todos os sites.

A pré-venda do iPhone 13 ainda não começou no Brasil. Por aqui, o iPhone 13 e o iPhone 13 Mini, que, nos EUA, são vendidos hoje por US$ 799 e US$ 699, podem ser comprados por R$ 7.599 e R$ 6.599, respectivamente.

O preço do iPhone 13 Pro fica a partir de R$ 10.499, no modelo menor, de 6,1 polegadas. O mais caro, de 1TB, sai por R$ 14.499.

Mais caro de todos, o iPhone Pro Max fica por a partir de R$ 10.499, na versão de 6,7 polegadas. O modelo de 1TB sai por R$ 15.499

A maçã mordida

As apostas são altas para a Apple com o lançamento desta sexta-feira.

O iPhone, especificamente, continua a ser um grande impulsionador de receita para a empresa e permanece no centro de  seu ecossistema de produtos.

Os lançamentos também vêm em meio a incertezas: um juiz dos EUA decidiu recentemente que a Apple não pode mais proibir os desenvolvedores de aplicativos de direcionar os usuários para opções de pagamento fora da App Store.

A empresa está enfrentando o escrutínio antitruste de reguladores nos Estados Unidos e no exterior, e a Apple enfrentou recentemente semanas de controvérsia por sua abordagem no combate à exploração infantil.

E os chips?

Embora seja comum que as remessas da Apple atrasem durante os ciclos de lançamento de produtos, a escassez na cadeia de suprimentos pode afetar a rapidez com que os aparelhos chegam às mãos dos clientes.

“Esse será um verdadeiro teste de oferta e demanda para a Apple”, disse Ramon Llamas, diretor da empresa de pesquisa de mercado IDC. “Com o advento do primeiro telefone 5G no ano passado e o lançamento de um iPhone SE, a Apple estava muito bem posicionada para capitalizar nas atualizações. Este ano, o ciclo de atualização pode ser mais silencioso do que nem 2020, e isso funciona a favor da Apple caso a companhia enfrente problemas de abastecimento.”

*Com informações de Samantha Murphy Kelly, do CNN Business

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