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    Leilão de transmissão tem todos os lotes arrematados; deságio médio é de 50%

    Governo prevê investimento de cerca de R$ 2,9 bilhões com obras em cinco estados

    Leilão busca atrair investimentos para expansão da transmissão de energia no Brasil
    Leilão busca atrair investimentos para expansão da transmissão de energia no Brasil Pascal Rossignol/Reuters

    João Pedro Malardo CNN Brasil Business*

    em São Paulo

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    O governo federal realizou nesta sexta-feira (17) um novo leilão de transmissão de energia, com cinco lotes ofertados. Todos foram arrematados, mas com deságio. O objetivo é atrair investimentos para melhorar e expandir as linhas de transmissão do Brasil

    A previsão é de construção de 902 quilômetros de linhas de transmissão ao todo. O investimento esperado pelo governo é de R$ 2,9 bilhões, com cerca de 6 mil empregos gerados, envolvendo os estados de Amapá, Bahia, Minas Gerais, Paraná e São Paulo.

    O primeiro lote envolve os estados de Paraná e São Paulo, com dois empreendimentos para estruturar o sistema que supre a região metropolitana de Curitiba. Ele foi arrematado pela Taesa, com R$ 129,9 milhões de receita anual permitida e deságio de 47,76%. O contrato é de 60 meses. São estimados investimentos de R$ 1,75 bilhão.

    Já o segundo lote foi arrematado pela indiana Sterlite Brazil, com R$ 7,093 milhões de receita anual permitida e deságio de 66,09%. O contrato é de 36 meses, e envolve o estado da Bahia, com um empreendimento para expandir o sistema de transmissão no nordeste baiano. O investimento estimado é de R$ 152,1 milhões.

    O terceiro lote também é na Bahia, para atender o oeste do estado. Ele foi arrematado pela Rialma, com R$ 17,1 milhões de receita anual permitida e deságio de 27,13%. O contrato é de 42 meses, com dois empreendimentos. A estimativa é de R$ 107,6 milhões em investimentos.

    Envolvendo um empreendimento em Minas Gerais, o quarto lote foi arrematado pela Neoenergia, com receita anual permitida de R$ 37,1 milhões e deságio de 58,63%. O contrato é de 48 meses, e busca aumentar a confiabilidade e flexibilidade operacional em cenários críticos de importação elevada de energia pela região Sudeste, assim como garantir um controle de tensão no sistema elétrico de São Paulo.

    O último lote foi arrematado pela Energisa, com receita anual permitida de R$ 11,3 milhões e deságio de 48,68%. O contrato, de 42 meses, envolve dois empreendimentos no Amapá. O objetivo é solucionar os problemas de atendimento elétrico na região da capital do estado, Macapá, que enfrentou uma série de apagões entre novembro de 2020 e janeiro de 2021.

    Como esperado pelo mercado, a licitação atraiu forte competição entre um perfil diversificado de investidores — desde companhias tradicionais no setor até investidores financeiros e empresas de construção e engenharia.

    Três dos cinco projetos ofertados foram disputados a viva voz, já partindo de lances com descontos superiores a 45%.

    Também participaram do certame transmissoras tradicionais, como ISA Cteep e Alupar, e as elétricas Engie Brasil, EDP Brasil, Cemig e Copel. Porém, esses grupos não chegaram a arrematar ativos.

    O deságio médio do leilão ficou em 50% da receita anual permitida (RAP) máxima estabelecida, taxa acima da registrada no certame realizado em junho deste ano (48,12%), e um pouco abaixo de concorrências de maior porte ocorridas em 2020 e 2019, quando o desconto chegou a superar 60%.

    Segundo Efrain Cruz, diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o deságio do leilão garantirá uma economia de mais de 5 bilhões de reais aos consumidores de energia.

    “Em grande medida, nós economizamos para que o consumidor não tenha aumento de 3% na tarifa”, disse Cruz, em fala após o encerramento da licitação, que foi transmitida pela TV B3.

    A Aneel já colocou em consulta pública o próximo leilão de transmissão, previsto para junho de 2022. O certame será o segundo maior desde 2018, com a oferta de 13 lotes envolvendo investimentos de R$ 9,5 bilhões.

    Como funciona o leilão

    Os proponentes aptos a participar da disputa devem entregar os envelopes com as propostas para o diretor da sessão, contendo a proposta financeira. Vence o proponente que apresentar o menor valor de RAP (receita anual permitida).

    Caso a diferença entre a menor proposta e as demais for maior do que 5%, vence que ofereceu a menor RAP. Se a diferença entre os lances for menor ou igual a 5% ou se houver empate entre as menores ofertas, será aberta etapa a viva-voz, com rodadas de lances obrigatoriamente inferiores aos da menor proposta, com decremento mínimo a ser fixado pelo diretor da sessão.

    Energy Weeks

    O leilão desta sexta-feira faz parte de uma série de certames que ocorrerão até o dia 21 de dezembro, batizada de “Energy Weeks” pelo Ministério de Minas e Energia. A expectativa é arrecadar R$ 206,9 bilhões em investimentos privados a partir das concessões, com geração de 160 mil empregos diretos e indiretos.

    No dia 21, encerrando o evento, haverá o leilão de contratação de potência e de energia elétrica proveniente de usinas termelétricas novas e existentes. O início do suprimento dessa energia está previsto para 2026 e 2027, com contratos de vigência de 15 anos.

    Ainda nesta sexta-feira, o governo arrecadou R$ 11 bilhões em bônus com um leilão de dois campos de pré-sal, com ágios chegando a 437,86%.

    Na semana passada, foram realizados dois leilões para geração e transmissão de energia, que movimentaram cerca de R$ 490 milhões.

    *Com Reuters

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