Leilão 5G: cirurgia remota, carro autônomo e outras inovações ficarão próximas

Prometido para meados de junho, o certame ainda não tem data definida, mas evento é muito esperado pelo mercado

Foto: Yves Herman/Reuters

Leonardo Guimarães,

do CNN Brasil Business, em São Paulo

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A evolução da internet para a rede 5G é uma das principais pautas do governo Bolsonaro e muito importante para o crescimento econômico do Brasil nos próximos anos. Mas, para que essa evolução aconteça, o país precisa promover um leilão que vai definir as empresas que podem operar nas frequências disponibilizadas para a nova tecnologia. 

Ainda há muita incerteza por trás do certame. O ministro das Comunicações, Fábio Faria, queria que o leilão fosse feito “em meados de junho”, mas o processo ainda está sendo revisado pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Segundo o órgão, ainda faltam documentos a ser entregues pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações).

O imbróglio pode adiar o leilão das frequências para 2022. A previsão mais recente do ministro das Comunicações, porém, é que o evento aconteça em agosto. O aval do TCU não é obrigatório, mas o governo costuma esperar o “ok” da corte para evitar problemas jurídicos. 

Enquanto não sabemos a data do leilão, uma coisa é certa: ele não será arrecadatório. Ou seja, as empresas que conquistarem o direito de operar nas frequências designadas para o 5G deverão investir no desenvolvimento da tecnologia no Brasil, e um possível lucro do governo no leilão também deve ser revertido em investimentos

A preocupação com o desenvolvimento das redes acontece porque vários municípios brasileiros ainda não têm acesso sequer ao 4G. 

O secretário de Telecomunicações do Ministério das Comunicações, Artur Coimbra, já avisou que “todo valor acima do preço mínimo será revertido para as 2,3 mil localidades que ainda não possuem 4G habilitado”. 

Por isso, algumas faixas leiloadas pela Anatel também serão usadas para ampliação do 4G. Outras serão exclusivas para a implantação da tecnologia mais recente. 

Quem levar a faixa de 3,5GHz terá a obrigação de viabilizar uma rede privativa de comunicação para o governo federal que seja altamente confiável.

O que muda com o 5G

O padrão atual, 4G, permitiu o advento de serviços de streaming, computação em nuvem e reprodução de conteúdos em alta resolução em smartphones. Foi uma melhora considerável em relação ao padrão anterior, o 3G, que permitiu chamadas de vídeo e internet móvel, por exemplo.

Agora, o salto do 4G para o 5G deve ser muito maior, avaliam especialistas. Isso porque a nova tecnologia vai desbloquear outras funcionalidades como internet das coisas, cirurgias remotas e os tão sonhados carros autônomos

Os usuários não devem perceber um salto tão grande na velocidade de download e upload de arquivos e mensagens. A grande diferença está no tempo que um servidor conectado ao 5G demora para responder, que é muito menor se comparado ao 4G. 

Graças à resposta rápida da rede, operações remotas, como cirurgias, aulas com realidade aumentada e manejo de máquinas à distância serão facilitadas.

Marcos Scheffer, VP de Redes da Ericsson para o Cone Sul da América Latina, disse ao CNN Brasil Business que “o 5G é a principal tecnologia para o desenvolvimento econômico desta década. Os investimentos que as operadoras farão serão importantes e vão gerar impostos com a infinidade de serviços prestados”.

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