Linx, Stone e Totvs: a novela ainda está longe de acabar?

Segundo o Bradesco, o “jogo ainda está longe de acabar”, porém, para o Safra, a Stone está na frente da briga. O resultado será conhecido no dia 17 de novembro

 
 

André Jankavski,

do CNN Brasil Business, em Sâo Paulo*

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Uma das maiores novelas do mercado financeiro em 2020 está sendo a aquisição da empresa de softwares de varejo Linx (LINX3). Nesta disputa, estão duas gigantes: a empresa de tecnologia Totvs (TOTS3) e a empresa de meios de pagamento Stone, que tem ações listadas na Nasdaq.

Para resumir a história, a Stone anunciou, em 11 de agosto, a compra da Linx por R$ 6 bilhões. No entanto, a Totvs, logo depois, afirmou que estava negociando com a empresa, criticou a posição dos conselheiros e da diretoria da Linx por não darem abertura para uma contraproposta, e à revelia, afirmou que pagaria mais pela Linx – R$ 6,1 bilhões.

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Um dos motivos apontados pela Totvs (e por acionistas minoritários da Linx) seria que a diretoria da Linx (assim como alguns conselheiros) receberia R$ 300 milhões em acordos de não concorrência. Para completar, colocaram uma salgada multa de R$ 605 milhões se o negócio não acontecer.

Até agora, a novela não tem nada resolvido. E, segundo o Bradesco, o “jogo ainda está longe de acabar”. Na noite da última quinta-feira (8) a Totvs afirmou que continua interessada na empresa e enxerga uma sinergia de R$ 3,2 bilhões com uma potencial aquisição – o banco enxerga um valor R$ 500 milhões menor.

O Bradesco acredita que como a Totvs está se mostrando firme nas negociações. Haverá uma assembleia no dia 17 de novembro para que os acionistas da Linx aprovem ou não a oferta da Stone. A Totvs afirmou que a sua proposta estará na mesa até lá.

“Do ponto de vista dos acionistas da Linx, seria positivo a competição de preços dos ativos e, nosso ver, a estratégia da Totvs parece ser enviar uma mensagem que eles têm a opção de votar contra a oferta”, escreveram os analistas Fred Mendes, Cristian Faria e Gustavo Tiseo.

Mas, segundo o Safra, a Stone está mais próxima de fechar o negócio. Isso porque a empresa já começou, aos poucos, a comprar fatias da Linx na bolsa. Até agora, eles já possuem 5,81% do total da companhia – o que dará força para a empresa durante a votação.

“Outro fator que pesa a favor de Stone é que a empresa já tem data para a votação da proposta. A Totvs não terá a oportunidade de ter sua proposta votada paralelamente à de Stone, o que vemos como uma clara desvantagem”, escreveram os analistas Silvio Dória e Luis Azevedo.

Em entrevista ao CNN Business, o presidente da Stone, Augusto Lins, afirmou que a empresa faz parte da estratégia de diversificação da empresa. E que as compras das ações só reforçam o quanto a empresa quer ter a Linx como parte de seu portfólio.

“Isso só reforça o nosso interesse. É parte da estratégia e queremos mostrar para todo mundo que é a nossa estratégia”, diz ele.

Pelos próximos 40 dias, continuará a expectativa do fim da novela de quem ficará com a Linx

*com reportagem de Matheus Prado.

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