Magazine Luiza agrada (muito) o mercado com compra do KaBuM! e oferta de ações

Analistas ouvidos pelo CNN Brasil Business elogiaram a estratégia agressiva da varejista. Credit Suisse espera valorização das ações

Foto: REUTERS/Paulo Whitaker

Leonardo Guimarães e Priscila Yazbek,

do CNN Brasil Business, em São Paulo

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O Magazine Luiza (MGLU3) sempre deixou claro sua intenção de se tornar um grande hub de negócios e construir um superapp. Nesta quinta-feira (15), com uma aquisição de mais de R$ 1 bilhão, não restam dúvidas de que este é o caminho que a varejista trilha. 

Dois movimentos importantes foram anunciados hoje: a compra do KaBuM!, maior e-commerce de games e tecnologia do Brasil, e uma oferta subsequente de ações (follow on) de até R$ 4,5 bilhões. 

Com a compra do KaBuM!, o Magalu tem a faca e o queijo na mão para dominar um mercado de 95 milhões de consumidores — estimativa do número de gamers no Brasil da consultoria BBL. A nova aquisição conversa com outras duas empresas adquiridas pelo Magazine Luiza: CanalTech e Jovem Nerd. 

“A compra tem a ver com a concorrência no varejo, que vem aumentando, mas um objetivo importante com a aquisição é diversificar o portfólio e aumentar a receita ao reforçar a presença no mercado de games, que já é maior que as indústrias de música e cinema juntas”, afirma Romero Oliveira, head de renda variável da Valor Investimentos.

O movimento foi amplamente aprovado pelo mercado financeiro. Todas as oito empresas ouvidas pelo CNN Brasil Business gostaram dos anúncios do Magalu. Além disso, as ações da empresa saltaram 3,45% em dia de mau humor na Bolsa. 

Embora esta seja uma aquisição de alto valor e uma oferta de ações também agressiva, os investidores mostraram que confiam na empresa comandada por Frederico Trajano. “A capacidade de entregar resultados que esses caras mostraram nos últimos anos dá todo o gabarito para que eles possam fazer esse tipo de operação. O mercado acredita neles”, disse Richard Camargo, analista da Empiricus, ao CNN Brasil Business

Os papéis do Magalu são conhecidos por remunerar muito bem os acionistas de longo prazo. Em 2021, porém, os investidores estão olhando para outras ações, mas o Credit Suisse, que também gostou do anúncio de hoje, acha que a cotação ainda tem espaço para subir e chegar a R$ 24,97. 

Outro aspecto muito importante para definir o otimismo dos investidores foi o valor do acordo, que conta com pagamento à vista de R$ 1 bilhão. O valor do negócio pode chegar a R$ 3,5 bilhões em 2024 se o KaBuM! cumprir algumas metas.

Parece muito, mas poderia ser mais. “O total do pagamento despendeu cerca de 1,8 vez o valor sobre vendas totais do KaBuM!. O Magazine normalmente negocia perto de 3 vezes, então ele pagou bem mais barato do que ela negocia”, explica Hugo Queiroz, diretor do TC Matrix, do TradersClub.

Agressividade

O KaBuM! foi a 21ª aquisição anunciada pelo Magazine Luiza desde o início de 2020. Para se concretizar, o negócio ainda depende de autorização do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Estante Virtual, Canaltech e Steal The Look estão na lista de compras recentes da empresa. 

E as aquisições não devem parar, já que parte do dinheiro captado com o follow on será o usado para aproveitar outras oportunidades, além de investimentos em logística e tecnologia. 

Em relatório, o Credit Suisse rasgou elogios à estratégia da empresa: “no e-commerce, dinheiro não é mais um grande diferencial. O uso correto do dinheiro é o que faz a diferença. E o Magazine Luiza parece ter a habilidade de combinar as pessoas certas a uma estratégia convincente”. 

Para Queiroz, do TC, “o investidor precisa monitorar agora as categorias que a companhia hoje não atende e não é especialista”, já que o follow on vai permitir que a empresa esteja preparada para outras oportunidades de aquisição. 

A agressividade da estratégia de expansão do Magalu também pôde ser vista na divulgação de projeções operacionais até 2023, que aconteceu na manhã desta quinta-feira. 

A empresa informou que pretende contar com 1.680 lojas até 2023, o que representa a abertura de mais de 120 lojas por ano, além da entrada no Rio de Janeiro, onde havia resistência para inicar a operação. 

Além disso, serão adicionados à operação 33 centros de distribuição e 417 unidades de cross-docking, que são pequenos armazéns que organizam os produtos para a entrega. Com isso, a empresa terá uma área total de armazenagem de 2 milhões de metros quadrados. “O mercado está gostando da agressividade do Magalu”, afirma Mario Mariante, analista chefe da Planner Corretora. 

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