Mais de 81 mil produtores rurais do Brasil acionaram seguro ou Proagro por seca

Os destaques são os prejuízos nas lavouras de milho e de soja

Áreas que receberam plantio da segunda safra de milho na região de Lucas do Rio Verde, no Mato Grosso
Áreas que receberam plantio da segunda safra de milho na região de Lucas do Rio Verde, no Mato Grosso REUTERS/Nacho Doce

Nayara Figueiredoda Reuters

da Reuters

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Em meio aos impactos do fenômeno climático La Niña, que reduziu as chuvas e elevou temperaturas no Sul do país, mais de 81 mil produtores afetados pela seca acionaram seguro ou o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) nesta safra de verão, mostraram dados do governo federal nesta sexta-feira (28).

No total, 42.541 apólices de seguro rural foram acionadas e 38.906 comunicados de perdas (COPs) realizados no Proagro, informou o Ministério da Agricultura em nota.

O levantamento tem como base dados das seguradoras habilitadas no Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) do ministério e do Banco Central do Brasil, autarquia responsável pelo Proagro.

“Os destaques são os prejuízos nas lavouras de milho e de soja, devido à estiagem que afeta parte de algumas regiões dos Estados do Paraná, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e São Paulo”, disse a pasta.

A soja tem quase 37 mil acionamentos (32% das apólices sinistradas) e 22,2% da área contratada com seguro afetada, que equivale a 1,7 milhão de hectares que serão vistoriadas pelas seguradoras.

Na quarta-feira (26), a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) reduziu em 4,2 milhões de toneladas sua projeção para a safra de soja do país em 2022, agora estimada em 135,8 milhões de toneladas e abaixo do recorde obtido na temporada anterior, em função da seca na região Sul.

No milho, dos quase 39 mil acionamentos de Proagro, o cereal se destaca com mais de 26 mil comunicados de perdas (68,7% do total) e o Rio Grande do Sul, onde os produtores lideram a contratação do programa, representa 53,2% dos comunicados de perdas, atingindo 20.719 operações.

Outros cultivos também têm sido afetados, como o feijão, arroz, cana-de-açúcar, frutas e verduras, além da pecuária leiteira, conforme o levantamento.

“A seca ainda não cessou seus efeitos e as lavouras estão em período de colheita, o que deve alterar esses números no próximo levantamento ao final de fevereiro”, acrescentou o ministério.

No total, está em análise nas seguradoras um valor segurado da ordem de 2,7 bilhões de reais em indenizações. No Proagro, o montante chega a 2,3 bilhões.

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