Mercado vegano cresce no Brasil com ajuda de “flexitarianos”, mostra pesquisa

Consumo de produtos à base de plantas é majoritariamente consumido por flexitarianos -- cerca de 42%, enquanto veganos e vegetarianos representam 4% e 6%

Karla ChavesGiovanna Bronzeda CNN

São Paulo

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O mercado vegano — ou seja, de produtos e alimentos feitos sem nada de origem animal — está crescendo no Brasil. E o principal motivo, segundo uma pesquisa da Euromonitor, é pelos flexitarianos: quem não é nem vegano nem vegetariano, mas que consome proteína de origem vegetal, por exemplo, ou cosméticos que não foram testados em animais.

Segundo a pesquisa, o consumo de produtos à base de plantas é majoritariamente consumido por flexitarianos — cerca de 42%, enquanto veganos e vegetarianos representam 4% e 6%, respectivamente.

De acordo com estudo realizado pelo IBOPE Inteligência, em 2018, cerca de 14% da população brasileira se declara vegetariana – já de acordo com pesquisa do Ipec (Inteligência em Pesquisa e Consultoria) em 2021, 46% dos brasileiros já deixam de comer carne, por vontade própria, pelo menos uma vez na semana.

Com a ajuda dos flexitarianos, cresce a procura por alimentos, roupas e até cosméticos sem produtos de origem animal. De acordo com um estudo da Allied Market Research, o mercado vegano foi avaliado em USD$ 19,7 bilhões em 2020 e a expectativa é que cresça para mais de USD$ 36,3 bilhões até 2030.

Segundo dados do Ministério da Economia levantados a pedido da CNN Brasil, em 10 anos o número de empresas abertas com o termo “vegano” no nome cresceu mais de 500%. Em 2022, com dados até abril, foram abertas 117 empresas utilizando “vegano”, “vegana” ou “veganos”.

Com isso, alguns restaurantes começaram a se adaptar e oferecer novas opções no cardápio para atender esse público. É o caso do Akan, que viu os pratos vegetarianos e veganos se tornarem alguns dos mais consumidos no estabelecimento.

Mas não é apenas no prato que a mudança ocorre. A Vegan Pharma, por exemplo, surgiu para atender pessoas com restrições e alergias a derivados de animais, mas abriu o leque para também produzir medicamentos para os veganos.

Com isso, viu o faturamento crescer em mais de 250% em um ano.

Em entrevista para a CNN Brasil, a farmacêutica e empresária Carina Zampini falou sobre a procura por produtos crescer na Vegan Pharma, mesmo por pessoas que não são veganas ou vegetarianas.

“Por mais que a pessoa se alimente da carne animal, é mais fácil pra ela trocar um sabonete do que trocar um bife no prato, então muitas pessoas começam a fazer essa transição através de suplementos, cosméticos e até medicamentos.”

Outro exemplo é a loja de roupas King55, que surgiu em 2001 e que segue produzindo produtos veganos. Amauri Caliman, diretor criativo da marca, reforçou que a tendência é que a procura por esses produtos continue.

“Hoje já é gigante esse movimento e é impossível calcular mensurar para você o crescimento. Cada vez mais — você pode não ser vegano — você vai querer participar desse projeto de alguma maneira, então se você tiver opção de comprar uma coisa vegana ou não vegana, você vai querer comprar uma coisa vegana para contribuir de alguma maneira com esse mercado”.

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