Bolsa fecha em queda de 1,45%; dólar vai a R$ 5,23, maior valor em mais de 4 meses

Principal índice da B3 encerrou aos 98.080,34 pontos; moeda norte-americana subiu 0,97%

Do CNN Brasil Business*

Ouvir notícia

O dólar fechou em alta de 0,97%, a R$ 5,229, nesta quinta-feira (23). A moeda norte-americana chegou a superar a marca de R$ 5,23, amparado pelo fortalecimento da divisa no exterior conforme a perspectiva de uma política monetária apertada nos Estados Unidos alimentava temores de recessão. Esse foi o maior valor desde 11 de fevereiro deste ano (R$ 5,242).

Já o Ibovespa encerrou em queda de 1,45%, aos 98.080,34 pontos. No radar de investidores, está o risco crescente de uma recessão nas principais economias do mundo, assim como o cenário fiscal brasileiro. Esse foi o menor patamar desde 3 de novembro de 2020 (95.980 pontos), ou em 19 meses.

O índice começou o dia em leve alta, acompanhando o mercado norte-americano, mas passou para o campo negativo no meio da manhã. Os temores de piora fiscal com eventuais medidas para compensar a alta dos preços de combustíveis também mantêm agentes financeiros cautelosos e adicionam volatilidade ao mercado.

Investidores também repercutiram os comentários do chair do Federal Reserve, Jerome Powell, que reconheceu nesta quinta-feira em audiência no Congresso dos EUA que uma recessão é “certamente uma possibilidade” na maior economia do mundo. Apesar desse risco, ele reforçou o compromisso “incondicional” do Fed com o controle da inflação.

Somando-se ao ambiente externo arisco, riscos fiscais brasileiros colaboravam para a valorização do dólar, disseram participantes do mercado, citando discussões em torno de possíveis medidas do governo para compensar a alta dos preços dos combustíveis, como a criação de um auxílio a caminhoneiros.

O Banco Central fez nesta sessão leilão de até 15 mil contratos de swap cambial tradicional para fins de rolagem do vencimento de 1° de agosto de 2022. A operação do BC ajuda a dar liquidez na moeda, mas especialistas consultados pelo CNN Brasil Business apontam que o órgão poderia atuar mais para conter a volatilidade do câmbio.

Na quarta-feira (22), o dólar teve queda de 0,67%, a R$ 5,153. Já o Ibovespa caiu 0,17%, aos 99.684,50 pontos.

Minério de ferro

A sessão também marcada pela recuperação dos preços do minério de ferro na China. Movimento esse que ajudou o Ibovespa no começo desta quinta-feira. Os contratos futuros de minério de ferro encerraram as negociaçõesna bolsa de Dalian com recuperação, após registrarem perdas mais cedo, após uma promessa do presidente chinês Xi Jinping de tomar medidas mais eficazes para alcançar as metas de desenvolvimento econômico e social do país.

O contrato de minério mais negociado na bolsa de commodities de Dalian, para entrega em setembro, fechou as negociações em alta de 2,5%, a 749,50 iuanes (US$ 111,77) a tonelada, recuperando-se da mínima de 16 semanas alcançada na quarta-feira.

As perdas no início da sessão haviam colocado o minério de ferro de Dalian no caminho para o que seria sua mais longa sequência de perdas desde o lançamento, em 2013, das negociações de futuros da commodity na bolsa chinesa.

O contrato do minério de ferro para o mês de julho na Bolsa de Cingapura foi negociado em alta durante a sessão, subindo 5,6%, para US$ 114,20 por tonelada.

Xi, falando na cerimônia de abertura do Fórum Empresarial dos Brics via link de vídeo na quarta-feira, pediu maior coordenação na política econômica para evitar que uma frágil recuperação seja interrompida.

A China intensificaria os ajustes de políticas macroeconômicas e adotaria medidas mais eficazes para atingir suas metas anuais de desenvolvimento econômico e social, minimizando ao máximo o impacto da epidemia de Covid-19, disse Xi, sem dar detalhes.

Apesar dos ganhos de quinta-feira, o minério de ferro e outros ingredientes siderúrgicos continuaram a caminho de fortes perdas semanais, já que o aumento dos estoques de aço e as margens fracas na China provocaram uma desaceleração na produção.

Sentimento global

Os investidores ainda mantém uma forte aversão global a riscos desencadeada por temores sobre uma possível desaceleração econômica generalizada devido a uma série de altas de juros pelo mundo para conter níveis recordes de inflação, o que prejudicaria diversos tipos de investimentos.

A principal causa para essa aversão é o ciclo de alta de juros nos Estados Unidos, com a elevação mais recente anunciada pelo Federal Reserve em 15 de junho. O órgão elevou os juros em 0,75 ponto percentual, na maior alta desde 1994, e deixou uma porta aberta para um aumento na mesma magnitude em julho.

Os juros maiores nos Estados Unidos atraem investimentos para a renda fixa do país devido a sua alta segurança e favorecem o dólar, mas prejudicam os mercados de títulos e as bolsas ao redor do mundo, inclusive as norte-americanas.

Ao mesmo tempo, o Banco Central Europeu (BCE) sinalizou altas de juros a partir de julho, enquanto a China enfrenta um novo aumento de casos de Covid-19 com temores de novas restrições e o risco fiscal no Brasil voltou a ganhar força.

Com isso, a combinação de um cenário doméstico debilitado, com o retorno de riscos fiscais e temores sobre interferências na Petrobras, e a perspectiva no exterior de fortes apertos monetários voltaram a prejudicar o mercado brasileiro.

Sobe e desce da B3

Veja os principais destaques do pregão desta quinta-feira:

Maiores altas

  • Locaweb (LWSA3) +9,01%;
  • BRF (BRFS3) +7,80%;
  • Petz (PETZ3) +6,26%;
  • Magazine Luiza (MGLU3) +4,51%;
  • Americanas (AMER3) +4,42%

Maiores baixas

  • SLC Agrícola (SLCE3) -6,67%;
  • Qualicorp (QUAL3) -4,32%;
  • Ultrapar (UGPA3) -4,05%;
  • PetroRio (PRIO3) -3,76%
  • 3R Petroleum (RRRP3) -3,44%

*Com Reuters

Mais Recentes da CNN