Dólar cai e fecha a R$ 4,74; Ibovespa encerra estável com inflação dos EUA no radar

Moeda norte-americana desvalorizou 0,49%, enquanto o principal índice da B3 encerrou em leve alta de 0,05%, aos 111.941,68 pontos

João Pedro MalarArtur Nicocelido CNN Brasil Business*

em São Paulo

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O dólar caiu 0,49%, cotado a R$ 4,738, nesta sexta-feira (27), fechando sua terceira queda semanal consecutiva em relação ao real após os investidores reduzirem a aversão a riscos.

Já o Ibovespa teve leve alta de 0,05%, aos 111.941,68 pontos, após ter apenas leves variações positivas e negativas na maior parte da sessão. Essa foi a maior pontuação desde 20 de abril, quando bateu 114.344 pontos.

O índice seguiu o desempenho positivo das bolsas no exterior, com mais otimismo do mercado, apesar das quedas nas ações de varejo e da Petrobras.

O mercado digeriu ainda a divulgação do índice de Despesas de Consumo Pessoal (PCE na sigla em inglês) de abril, principal referência de inflação para o banco central norte-americano. O indicador desacelerou em relação a março e veio em linha com o esperado, ajudando a manter as tendências da semana.

O movimento semanal está ligado a um otimismo maior do mercado quanto à economia mundial, após a divulgação da revisão do PIB dos Estados Unidos. O resultado foi pior que o esperado, reforçando apostas que o Federal Reserve não será tão agressivo no ciclo de altas juros, desacelerando menos a economia do país.

Nesta sessão, o Banco Central fez um leilão de até 15 mil contratos de swap cambial tradicional para fins de rolagem do vencimento de 1° de julho de 2022. A operação do BC pode ajudar a dar liquidez na moeda, mas especialistas consultados pelo CNN Brasil Business apontam que o órgão poderia atuar mais para conter a volatilidade do câmbio.

Na quinta-feira (26), o dólar fechou em queda de 1,23%, a R$ 4,761, no valor mais baixo desde 20 de abril. Já o Ibovespa encerrou em alta de 1,18%, aos 111.889,88 pontos.

Inflação dos EUA

Os gastos dos consumidores dos Estados Unidos aumentaram mais do que o esperado em abril, enquanto a inflação anual parece ter atingido um pico, o que pode ajudar a sustentar o crescimento econômico no segundo trimestre em meio a temores crescentes de recessão.

Embora a inflação tenha continuado a aumentar em abril, não foi na mesma magnitude dos meses recentes. O índice PCE, cujo núcleo é a referência do banco central norte-americano ao determinar as taxas de juros para combater pressões inflacionárias, subiu 0,2% no mês passado, depois de ter disparado 0,9% em março.

Nos 12 meses até abril, o índice avançou 6,3% após ter saltado 6,6% em março.

Os dados de março foram revisados a aumento de 1,4% ao invés de 1,1%, como informado anteriormente.

Pessimismo devido à China

Um pessimismo global ronda as bolsas, apesar das altas em determinados dias, por conta dos lockdowns na China para tentar conter a Covid-19 aumentaram as projeções de uma forte desaceleração econômica, e até risco de uma recessão global, prejudicando os mercados e aumentando a aversão a riscos de investidores.

A medida impactou as exportadoras brasileiras, principalmente de matérias-primas, como minério de ferro e petróleo.

Rodrigo Leite, professor de finanças e controle gerencial do Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), avalia que, por conta dos números mundiais de casos estarem diminuindo, a preocupação das companhias com o coronavírus também caiu.

Dessa forma, os negócios relaxaram as projeções e as medidas na China “acabaram afetando as empresas”. Especialistas consultados pelo CNN Brasil Business apontam que tanto a Vale quanto a Petrobras tiveram um desempenho afetado por conta do país asiático.

Até agora, mais de 30 cidades na China estão sob bloqueio total ou parcial, afetando até 187 milhões de pessoas em todo o país, segundo cálculos da CNNi.

Com isso, o UBS BB reduziu sua previsão de crescimento anual do PIB chinês de 4,2% para 3%. Como justificativa, a companhia citou o impacto das políticas de Covid-zero. Já o JPMorgan rebaixou suas expectativas de 4,3% para 3,7%, devido os mesmos motivos.

Sobe e desce da B3

Veja os principais destaques do pregão desta sexta-feira:

Maiores altas

BRF (BRFS3) +4,82%;
Minerva (BEEF3) +4,40%;
CSN (CSNA3) +3,10%;
PetroRio (PRIO3) +2,64%;
B3 (B3SA3) +2,34%

Maiores baixas

Petrobras (PETR4) -4,76%;
Yduqs (YDUQ3) -4,49%;
Petrobras (PETR3) -4,17%;
Via (VIIA3) -3,28%;
Energisa (ENGI11) -2,58%

*Com informações da Reuters

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