Ibovespa fecha em queda de 0,32%; dólar atinge R$ 5,39 com aversão global a riscos

Principal índice da B3 encerrou aos 98.294,64 pontos; moeda norte-americana tem valorização de 1,21%

João Pedro Malar, em São Paulo
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O dólar fechou em alta de 1,21%, cotado a R$ 5,389, nesta terça-feira (5), favorecido por uma aversão a riscos enquanto os investidores migram para ativos considerados mais seguros devido à deterioração das perspectivas sobre a economia mundial. Esse é o maior valor desde 28 de janeiro, quando encerrou a R$ 5,391.

Já o Ibovespa encerrou em queda de 0,32%, aos 98.294,64 pontos, prejudicado pelo cenário global. Entre as maiores quedas estão a de ações de petroleiras, que seguem a desvalorização do preço do barril de petróleo. A commodity recuou mais de 8%.

No âmbito doméstico, o mercado segue ficou à tramitação da PEC dos Benefícios, aprovada no Senado e agora é analisada na Câmara. O texto criou um risco fiscal, já que tem gastos estimados em cerca de R$ 41 bilhões e prevê decretar um estado de emergência para justificar despesas fora do teto e ampliar benefícios sociais.

A medida não foi bem recebida por investidores, e leva a uma retirada de investimentos devido à possibilidade de descontrole de gastos.

O exterior também pesou no Ibovespa devido o ciclo de alta de juros nos Estados Unidos - que alimenta temores sobre uma possível recessão em 2023 - e o anúncio de novos lockdowns na China, que tendem a desacelerar a economia do país e agravar o quadro internacional.

O Banco Central fez neste pregão leilão de até 5.315 contratos de swap cambial tradicional para fins de rolagem do vencimento de 1° de agosto de 2022. A operação do BC ajuda a dar liquidez na moeda, mas especialistas consultados pelo CNN Brasil Business apontam que o órgão poderia atuar mais para conter a volatilidade do câmbio.

Na segunda-feira (4), o dólar fechou em alta de 0,07%, a R$ 5,325. Já o Ibovespa caiu 0,35%, aos 98.608,76 pontos.

Petróleo

Os preços do petróleo caíram cerca de US$ 10 nesta terça-feira, com as preocupações de que uma possível recessão global reduza a demanda, superando os temores de interrupção da oferta, acentuados por um corte de produção esperado na Noruega.

O barril do tipo brent fechou a US$ 102,77, com queda de 9,45%. Já o WTI, negociado nos Estados Unidos, encerrou a US$ 99,50, com desvalorização de 8,24%.

"O mercado está ficando apertado, mas ainda estamos sendo derrotados, e a única maneira de explicar isso é o medo da recessão em todos os ativos de risco", disse Robert Yawger, diretor de futuros de energia da Mizuho, Nova York. "Estamos sentindo a pressão."

Os investidores estão cada vez mais preocupados, à medida que o aumento recente nos preços do gás e dos combustíveis alimenta preocupações com a recessão.

Na zona do euro, por exemplo, dados mostraram que o crescimento dos negócios em todo o bloco desacelerou ainda mais no mês passado, com indicadores prospectivos sugerindo que a região pode entrar em declínio neste trimestre, já que a crise do custo de vida mantém os consumidores cautelosos.

Sentimento global

Os investidores ainda mantêm uma forte aversão global a riscos desencadeada por temores sobre uma possível desaceleração econômica generalizada devido a uma série de altas de juros pelo mundo para conter níveis recordes de inflação, o que prejudicaria diversos tipos de investimentos.

A principal causa para essa aversão é o ciclo de alta de juros nos Estados Unidos, com a elevação mais recente anunciada pelo Federal Reserve em 4 de maio. A autarquia já chegou a descartar altas de 0,75 ponto percentual nos juros, ou um risco de levar a economia do país a uma recessão, mas sinalizou ao menos mais duas altas de 0,5 p.p.

Os juros maiores nos Estados Unidos atraem investimentos para a renda fixa do país devido a sua alta segurança e favorecem o dólar, mas prejudicam os mercados de títulos e as bolsas ao redor do mundo, inclusive as norte-americanas.

Ao mesmo tempo, o mercado acompanha os dados sobre a economia do país para entender o quão agressivo o Fed poderá ser no processo.

confirmação da contração da economia dos Estados Unidos no primeiro trimestre, por exemplo, reforçou a visão de que a autarquia não deveria ser tão agressiva na alta de juros quanto o previsto. Já a inflação de maio sinalizou um quadro mais negativo, reforçando apostas de juros terminais maiores.

Por outro lado, com o fim do lockdown na cidade chinesa de Xangai e alívio nas restrições na capital Pequim, a expectativa era que a demanda chinesa retorne aos níveis anteriores, o que voltou a favorecer exportadores de commodities e aliviou uma parte das pressões sobre o real, mas novas restrições foram anunciadas, revertendo o cenário.

O Ibovespa e o real encontraram espaço para valorização entre o fim de maio e o começo de junho, mas a combinação de um cenário doméstico pior, com o retorno de um risco fiscal, e a perspectiva no exterior de fortes apertos monetários voltaram a prejudicar o mercado brasileiro.

Sobe e desce da B3

Veja os principais destaques do pregão desta terça-feira:

Maiores altas

  • Magazine Luiza (MGLU3) +11,74%;
  • Via (VIIA3) +11,48%;
  • Americanas (AMER3) +9,73%;
  • Petz (PETZ3) +8,65%;
  • BRF (BRFS3) +7,67%

Maiores baixas

  • 3R Petroleum (RRRP3) -7,44%;
  • PetroRio (PRIO3) -7,11%;
  • Petrobras (PETR3) -4,27%;
  • Petrobras (PETR4) -3,81%;
  • SLC Agrícola (SLCE3) -3,15%

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*Com informações da Reuters

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