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    Ibovespa fecha em alta de 2,04% e volta a superar 100 mil pontos; dólar cai a R$ 5,34

    Principal índice da B3 subiu 2,04%; moeda norte-americana desvalorizou 1,45%

    Na véspera, Ibovespa encerrou com alta de 0,43%, aos 98.718,98 pontos
    Na véspera, Ibovespa encerrou com alta de 0,43%, aos 98.718,98 pontos AlphaTradeZone/Pexels

    João Pedro Malardo CNN Brasil Business*

    em São Paulo

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    O Ibovespa fechou em alta de 2,04%, aos 100.729,72 pontos, nesta quinta-feira (7), favorecido pela redução na aversão a riscos por parte dos investidores e pela alta nas ações ligadas a commodities, como o minério de ferro, que seguem a valorização nos preços dos produtos. Nesta tarde, o índice chegou aos 101 mil pontos.

    Já o dólar caiu 1,45%, a R$ 5,344. O real teve leve recuperação em um dia de fraqueza da moeda norte-americana no exterior.

    Os investidores digeriram a ata da última reunião do Federal Reserve. O texto sinalizou que a próxima reunião deve ter uma alta de 0,5 p.p. ou 0,75 p.p., dependendo dos dados inflacionários, mas o tom foi lido como menos agressivo que o esperado pelo mercado, reduzindo em parte o pessimismo global, já que não mencionou um risco de recessão no país.

    Já no âmbito doméstico, o mercado ficou atento à tramitação da PEC dos Benefícios, aprovada no Senado e que agora é analisada na Câmara. O texto criou um risco fiscal, já que tem gastos estimados em cerca de R$ 41 bilhões e prevê decretar um estado de emergência para justificar despesas fora do teto e ampliar benefícios sociais.

    A medida não foi bem recebida por investidores, e leva a uma retirada de investimentos devido à possibilidade de descontrole de gastos.

    Na quarta-feira (6), o dólar teve valorização 0,63%, a R$ 5,423. Já Ibovespa encerrou com alta de 0,43%, aos 98.718,98 pontos.

    Minério de ferro

    Os contratos futuros de minério de ferro na Bolsa de Dalian se recuperaram de uma venda (sell-off) na sessão anterior, subindo 5% nesta quinta-feira com a queda do dólar.

    Porém, ainda persistem no mercado as preocupações com uma recessão global e novas restrições da Covid-19 na China.

    As ações asiáticas registraram ganhos graduais nesta quinta-feira, com os investidores lidando com os riscos de uma recessão e uma possível pausa nos aumentos das taxas de juros, enquanto o euro era negociado na mínima de dois anos e o petróleo começava a recuperar as perdas da noite para o dia.

    O contrato de minério de ferro mais negociado na Dalian Commodity Exchange terminou em alta de 3,9%, a 756,50 iuanes (US$ 112,82) a tonelada. O contrato para agosto na Bolsa de Cingapura ganhou 1,7%, a US$ 113,50 a tonelada.

    Sentimento global

    Os investidores ainda mantêm uma forte aversão global a riscos desencadeada por temores sobre uma possível desaceleração econômica generalizada devido a uma série de altas de juros pelo mundo para conter níveis recordes de inflação, o que prejudicaria diversos tipos de investimentos.

    A principal causa para essa aversão é o ciclo de alta de juros nos Estados Unidos, com a elevação mais recente anunciada pelo Federal Reserve em 4 de maio. A autarquia já chegou a descartar altas de 0,75 ponto percentual nos juros, ou um risco de levar a economia do país a uma recessão, mas sinalizou ao menos mais duas altas de 0,5 p.p.

    Os juros maiores nos Estados Unidos atraem investimentos para a renda fixa do país devido a sua alta segurança e favorecem o dólar, mas prejudicam os mercados de títulos e as bolsas ao redor do mundo, inclusive as norte-americanas.

    Ao mesmo tempo, o mercado acompanha os dados sobre a economia do país para entender o quão agressivo o Fed poderá ser no processo.

    confirmação da contração da economia dos Estados Unidos no primeiro trimestre, por exemplo, reforçou a visão de que a autarquia não deveria ser tão agressiva na alta de juros quanto o previsto. Já a inflação de maio sinalizou um quadro mais negativo, reforçando apostas de juros terminais maiores.

    Por outro lado, com o fim do lockdown na cidade chinesa de Xangai e alívio nas restrições na capital Pequim, a expectativa era que a demanda chinesa retorne aos níveis anteriores, o que voltou a favorecer exportadores de commodities e aliviou uma parte das pressões sobre o real, mas novas restrições foram anunciadas, revertendo o cenário.

    O Ibovespa e o real encontraram espaço para valorização entre o fim de maio e o começo de junho, mas a combinação de um cenário doméstico pior, com o retorno de um risco fiscal, e a perspectiva no exterior de fortes apertos monetários voltaram a prejudicar o mercado brasileiro.

    Sobe e desce da B3

    Veja os principais destaques do pregão desta quinta-feira:

    Maiores altas

    • Yduqs (YDUQ3) +10,51%;
    • CVC (CVCB3) +10,32%;
    • MRV (MRVE3) +6,42%;
    • Gerdau (GGBR40 +5,76%;
    • CSN (CSNA3) +5,29%

    Maiores baixas

    • JBS (JBSS3) -1,22%;
    • Marfrig (MRFG3) -1,12%;
    • Suzano (SUZB3) -0,69%;
    • Locaweb (LWSA3) -0,61%;
    • Dexco (DXCO3) -0,61%

    *Com informações da Reuters

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