Mês da Black Friday, novembro tem queda de 0,9% na intenção de consumo, diz pesquisa

Segundo a coordenadora do estudo da CNC, momento econômico e político do país leva insegurança às famílias, o que impacta na forma de ordenar despesas futuras

Elis BarretoLucas Janoneda CNN

no Rio de Janeiro

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A pesquisa Intenção de Consumo das Famílias (ICF), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), divulgada nesta segunda-feira (22), registra uma queda mensal de 0,9% na intenção de compra em comparação a outubro.

O indicador vai de zero a 200 pontos e avalia a percepção das famílias sobre consumo, renda e trabalho no atual momento até os próximos seis meses. Em novembro ele ficou em 73,4 pontos. Na escala, 100 é considerado o ponto de neutralidade.

Apesar do recuo, o índice apresentou um crescimento de 5,1% comparado com o mesmo mês de 2020, o primeiro ano da pandemia.

Coordenadora do estudo, a economista Catarina Carneiro explica que o momento econômico e político do país leva insegurança às famílias, o que impacta diretamente a forma como ordenar as despesas futuras e deixa os consumidores mais cautelosos.

“As famílias estão percebendo uma situação mais incerta com a alta da inflação e dos juros, e não se sabe até onde a inflação vai alcançar. Isso faz com que fiquemos preocupados na hora de consumir. Desde 2015, o índice ficou abaixo de 100, que é o nível satisfatório. Em fevereiro de 2020, pouco antes de começar a pandemia, estava em 99,9 pontos. Mas veio a pandemia e tivemos essa queda. Então, crises costumam alterar a percepção do consumidor”, afirmou a pesquisadora

A pesquisa apontou também queda de um ponto percentual na percepção em relação ao nível atual de consumo das famílias. Esse componente, analisado da mesma maneira, ficou em 58 pontos.

No entanto, ao longo de todo o ano, apresenta alta de 9,4%. Segundo a coordenadora, o aumento das taxas de juros e da inflação afetam o poder de compra da população, diminuindo o consumo.

Insatisfação com o consumo

O estudo analisou ainda a satisfação com a renda atual. O componente apresentou queda de 0,3% e está em 80,1 pontos.

A categoria que tem renda de até dez salários-mínimos soma 69,6 pontos. No grupo que apresenta rendimentos acima dessa parcela, a insatisfação é menor: 91,4 pontos. No entanto, os dois estratos sociais apresentaram queda na variação mensal: 0,9% entre os de menor renda, e 1,3% na parcela de vencimentos mais elevados.

“As famílias mais ricas puderam guardar, ter um aumento na poupança, por conta desse receio com o futuro, mas também tiveram uma perda no padrão de consumo, tendo que comprar o básico. Agora com as flexibilizações, as famílias mais ricas estão ficando mais satisfeitas, mas sofrendo maiores variações”, conclui Catarina Carneiro.

A consulta percebeu ainda mais dificuldade de acesso ao crédito, que recuou 2,3% e está em 80,3 pontos.

Entre os destaques positivos, o principal apontado pela pesquisa foi o mercado de trabalho de curto prazo, com crescimento de 0,2% no emprego atual.

A maior parte dos entrevistados (36,3%) se sente tão segura com seu emprego quanto neste mesmo período do ano passado. Uma proporção, entretanto, menor do que no mês anterior (37%), mas maior do que em novembro de 2020 (33%).

A perspectiva de consumo para os próximos três meses apresentou leve recuperação: 49,6% das famílias acredita que consumirá menos neste período.

Em outubro, a proporção era de 49,8%. O resultado é o menor desde abril de 2020, quando apenas 9,5% dos núcleos familiares acreditavam que consumiriam menos.

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